Leveconsciencia

Simplicidade e Leveza

LIMPANDO OS ESTÁBULOS DE ÁUGIAS

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Aquário

Décimo Primeiro Trabalho:

LIMPANDO OS ESTÁBULOS DE ÁUGIAS

“Os homens só alcançam as alturas quando ajudam outros homens a alcançá-las.”

Hércules vive agora uma experiência que determina uma grande e definitiva mudança em sua vida: tendo acendido em si a própria lâmpada por meio do serviço altruísta e do alinhamento com os níveis superiores de sua consciência, ele deverá levar essa luz até os demais seres. Aqueles que acompanham sua evolução estão muito atentos ao seu desenvolvimento, porque é a partir do momento em que essa luz se acende que o homem não tem mais possibilidade de retorno à completa ilusão. De agora em diante, Hércules será co-criador consciente, e não mais poderá voltar atrás em suas intenções interiores.

É, portanto, convocado a ir ao encontro de um “farol”, e não mais de uma incerta e pequenina luz. Esse farol, que também está dentro dele, faz parte da mesma luz, mas apresenta muito menos véus. Hércules precisa agora mudar o sentido de seus passos; em vez de prestar tanta atenção a si mesmo, deve voltar as costas ao que construiu e ir ao encontro dos que caminham nas trevas, dos que não acenderam, ainda, a própria lâmpada. O Instrutor faz-lhe, então, a proposta de dirigir-se ao reino de Áugias, território que precisa ser limpo de um mal ancestral.

Um insuportável mau cheiro começa a se fazer sentir, à medida que Hércules se encaminha para lá . A imensa Região onde Áugias é rei simboliza o senso da propriedade, arraigado no homem desde tempos imemoriais.

Esse reino existe há eras, e o seu mau cheiro provém de excrementos acumulados por séculos e séculos. Durante todo esse tempo em que seu gado defecou nos estábulos, jamais houve limpeza alguma. Também os antigos campos, originalmente destinados à agricultura, estão completamente cobertos de dejetos, e nenhuma vegetação é possível ali. Há tanto estrume amontoado nessa imensa propriedade de Áugias, que uma epidemia começa a alastrar-se por todo o reino, dizimando centenas de vidas humanas.

Hércules segue para o palácio do rei. “Sou o dono de tudo”, diz-lhe Áugias, logo que o vê diante de si. “Sempre fui o dono, e nestas terras só acontece o que eu permito”. O herói não lhe inspira confiança, principalmente porque não lhe está pedindo recompensa alguma pelo trabalho que se propõe realizar.

“Só um incompetente se disporia a limpar os estábulos da minha propriedade sem receber recompensa alguma”, afirma. Sem se importar com o que o soberano diz, Hércules, serenamente, insiste em realizar a tarefa.

“Pois bem”, diz o rei, “não tenho confiança em quem se diz desprendido. Você deve ter um plano oculto, deve ser um astucioso que visa usurpar meu reino, minhas terras e meu bois. No fundo, o que você quer é ficar com o meu trono. Uma questão de jogo de poder. Mas, enfim, vou fazer uma concessão e permitir que você trabalhe aqui”.

O rei nunca ouvira falar de homens que procuram servir ao mundo sem qualquer interesse. Isso para ele, grande proprietário, era uma novidade, mas a necessidade de limpeza era tão grande, que ele disse aceitar a presença de qualquer idiota disposto a empreendê-la.

Faz então um trato com Hércules, porque, segundo ele, “ficaria desmoralizado se não tomasse precaução contra aventureiro tão excêntrico”. Para não ser censurado por seus milhões de súditos e para não ser considerado um rei imbecil, propõe que o guerreiro limpe todos os estábulos num só dia. “Se conseguir fazê-lo, receberá a décima parte do meu imenso rebanho, mas, se falhar, será morto”, afirma ele.

O guerreiro aceita.

Deixa o rei com sua descrença e caminha um pouco pelas terras malcheirosas e pestilentas. Carroças passam por ele, carregando pilhas de cadáveres, vítimas da epidemia e da sujeira generalizada. Mais um pouco e o mundo todo estaria envolvido nesse ambiente de morte. É preciso, pois, impedir isso já . Hércules fecha os olhos e procura concentrar-se. Minutos depois, quando os abre, constata que ali por perto há dois rios que correm calmamente. De pé, na margem, ele vê as águas passarem. Vem-lhe então à mente, oriunda dos níveis elevados de sua Consciência, uma idéia clara e definitiva: a de desviar o curso dos rios, o que pode ser feito em poucas horas, e deixar que as águas passem pelos estábulos. As correntes, ao fluírem, carregarão consigo toda a sujeira das fezes acumuladas há séculos.

E assim faz: desvia o curso das águas e fica assistindo à limpeza das terras. Em pouco tempo, o reino é lavado e, num único dia — conforme o trato feito com o rei — a tarefa está pronta. Agora, respira-se outro ar. As terras, desobstruídas, começam a criar vida nova. Hércules, vendo o resultado, volta à presença do rei.

Áugias esbraveja, muito agressivo: “Não foi você que limpou as terras. Impostor que é, você valeu-se de um truque, utilizando as águas dos rios que aqui correm, a fim de dar cumprimento a tarefa que lhe cabia”. Completamente irado, por fim, o rei vocifera: “Você armou um complô com tudo isso, para se tornar querido entre meus súditos e roubar-me o trono. Saia daqui o quanto antes, se não quiser que eu lhe corte a cabeça”. Sem nada responder, o guerreiro retira-se. Algo lhe diz que a tarefa está cumprida e que deve prestar contas aos Seres que tudo presidem, e não ao governante daquelas terras. E, assim, volta-se para o seu Instrutor, de quem ouve esta frase: “Agora você se transformou em um ser a serviço do mundo.”

Algumas características marcam um ser já evoluído, como o Hércules deste penúltimo Trabalho. O serviço desinteressado é a primeira delas, e é feito quando a consciência não está mais centrada no ego humano, nas suas pseudonecessidades e expectativas. Agora, trabalha-se indo ao encontro das reais necessidades dos outros. Isso, porém, é realizado sem qualquer sentimento de estar perdendo algo em benefício de terceiros. Nenhum pensamento ou sentimento desse gênero passa por Hércules; ele simplesmente serve, sem sentir-se subtraído em nada. Não há esforço algum nessa sua doação. A segunda característica do ser a serviço do mundo é a capacidade de trabalhar em grupo. Nesta história, porém, à primeira vista o herói parece executar a tarefa sozinho. O que significa, então, trabalhar em grupo, no ponto evolutivo já alcançado por ele? Esquecido de si mesmo, diante da tarefa em prol da humanidade, concentra-se no centro da própria consciência; assim, fica internamente unido a todos os seus semelhantes, formando, na realidade, um grupo. Dessa consciência integrada à humanidade como um todo flui uma energia especial, capaz de remover montanhas. A terceira característica é a pureza, que implica estar mais alinhado com os próprios níveis superiores de consciência. O trabalho de um ser a serviço nem sempre parece importante aos olhos dos outros. Geralmente ele tem o mesmo caráter de simplicidade que tem a tarefa de limpar estábulos, tida por todos como de somenos importância. Qualquer que seja a forma que esse trabalho assuma (lidar com excrementos, promover a higiene de um local), esse serviço não visa ao benefício próprio de quem o executa, mas ao benefício geral. Seja qual for a sua natureza, ou o grau de evolução de quem o realiza, o que conta são a vida e o amor empregados na tarefa. Importa executá-la e, em seguida, retirar-se de cena, pois os resultados não pertencem a quem serve.

Extraído do livro HORA DE CRESCER INTERIOMENTE. Trigueirinho.

Hércules, sendo o iniciado, deveria fazer três coisas, que podem ser resumidas como as características principais de todos os verdadeiros iniciados. Se não estiverem presentes em alguma medida, o homem não é um iniciado.

  1. Serviço impessoal. Este não é o serviço que prestamos porque nos dizem que o serviço é um caminho de libertação, mas o serviço prestado porque nossa consciência não é mais centrada em nós mesmos. Não estamos mais interessados em nós mesmos, pois, sendo nossa consciência universal, nada há a fazer, a não ser assimilar os problemas de nossos semelhantes e ajudá-los. Para o verdadeiro Mestre de Aquário isso não representa esforço.
  2. Trabalho grupal. Isto é alguma coisa sobre a qual ainda pouco sabemos. O mundo está cheio de organizações e sociedades, fraternidades que ficam felizes em dar oportunidade de treinamento a pessoas ambiciosas. Não quero dizer para não serem bondosos, mas minha experiência com o grupo comum é que ele é um canteiro de ciúmes, de pessoas tentando impressionar as outras com a quantidade de conhecimento e a maravilha de suas vidas de auto-sacrifício. Isto não é trabalho grupal. O trabalho grupal é permanecer sozinho espiritualmente na manipulação dos assuntos pessoais, esquecendo completamente de si mesmo e se inserir no bem-estar do segmento da humanidade ao qual se está associado. O servidor nega a ambição; ele nega o progresso vertical em qualquer loja ou organização; ele nega qualquer pretensão a assumir prerrogativas oficiais.

Não penso que os novos grupos terão quaisquer administradores burocratizados, mas trabalharão automaticamente devido ao intercâmbio espiritual institucional entre as mentes das unidades nos grupos. Nada sabemos a respeito disso, por enquanto. Vocês serão capazes de pensar em um grupo tão unido em níveis espirituais que cartas, panfletos, livros, etc., possam ser eliminados; que a intercomunicação entre as mentes dos membros do grupo seja perfeita? Esse é o grupo Aquariano, e ele não está conosco por enquanto.

  1. Auto-sacrifício. O significado do auto-sacrifício é tornar o ego sagrado. Isto lida com o ego do grupo e o ego do indivíduo; esse é o trabalho do iniciado.

Do topo da montanha em Capricórnio, Hércules tem de descer, literalmente até a sujeira da matéria e limpar as estrebarias de Áugias. Quero dar-lhes uma idéia de sua psicologia. Ele havia escalado até o cume da montanha. Ele havia passado por todos os grandes testes, passando de Capricórnio para o reino espiritual e conheceu algo do significado do êxtase místico, e naquele elevado estado espiritual, recebeu a palavra para descer e limpar os estábulos. Que anti-clímax! Nenhum grande trabalho mundial, mas limpar estábulo!

O objeto do teste pode ser resumido desta maneira: Hércules tinha de ajudar na limpeza do mundo pela direção certa das forças da vida através desse mundo.

Primeiro, Hércules derrubou a parede que cercava os estábulos, depois ele fez dois grandes buracos em seus lados opostos e fez com que dois rios corressem através deles. Ele não tentou varrer e limpar, como outros haviam feito, mas rompeu as barreiras usando dois rios. Sem esforço de sua parte, os estábulos foram limpos.

Quais foram as duas coisas que Hércules fez? Ele rompeu todas as barreiras. Essa é a primeira coisa que tem de acontecer na era de Aquário. Estamos apenas começando a fazê-lo. Estamos apenas começando a pensar em termos amplos, a deixar de sermos exclusivos. Emergindo no mundo estão grupos de homens e mulheres, em toda parte, que estão se empenhando para serem inclusivos em seus pensamentos, porque na era de Aquário, as nações, tal como as conhecemos, terão de desaparecer. Nações lutando umas contra as outras e pelo que elas querem, nações lutando só para si próprias, o cultivo do patriotismo que é freqüentemente o cultivo do ódio, desaparecerão. Temos de ensinar às pessoas que elas são seres humanos com certas responsabilidades, sim, mas podemos começar a obter um quadro maior, a desenvolver a consciência da humanidade como um todo.

Cultivemos o espírito de Aquário da não-separatividade, do amor, da compreensão, da inteligência, livres da autoridade, buscando tirar de cada ser humano com quem nos deparamos, o melhor que neles existir. E se não souberem fazê-lo, não os culpem e sim a si próprio. Essa é a verdade. Se alguém interpretar vocês erradamente, é porque vocês não terão sido claros. A referência a si próprios é sempre necessária em Aquário, mas não a consciência pessoal que agora conhecemos. Quando tivermos rompido as barreiras da separatividade, então deixaremos entrar os dois rios, a água da vida e o rio do amor. Não posso falar sobre esses dois rios porque não sei o que eles são. Muitos falam sobre a vida e o amor; eles usam palavras. Eu não sei o que é a vida e nós certamente ignoramos o que seja o amor.

Quando você tiver feito todo o possível para romper as paredes e expressar a vida e o amor, ajudado pela própria alma cuja natureza é amor-sabedoria, não espere por reconhecimento; não o receberá.

Extraído do livro OS TRABALHOS DE HÉRCULES. Alice Bailey

Sugestão para aplicação prática deste estudo:

A- Trabalho com o rompimento de barreiras. Reconhecer dentro de si as atitudes que levam à separatividade e procurar transformá-las.

B- Trabalho com o aprofundamento do serviço. No trabalho grupal, resgatar de cada ser humano o melhor que nele existir.

Reflexões sobre o Décimo Primeiro Trabalho

Este décimo primeiro Trabalho nos apresenta a fraternidade. E o mito mostra o maior obstáculo para a sua aplicação e desenvolvimento: o senso de propriedade evidenciado pelo temor demostrado pelo rei de que seu trono seja roubado.

Esse apego faz também com que o rei não acredite que o herói possa executar um trabalho em suas terras de forma gratuita, desinteressada. E, quando Hércules executa a tarefa, o rei se volta contra ele, e nesta situação, duas evidências são reveladas:

  1. Que é necessário que aqueles que avançam em consciência se voltem para auxiliar na purificação de todos.
  2. Que o serviço desinteressado será questionado e confrontado pelos que ainda não atingiram esse estágio de desenvolvimento de consciência.

Além disso, o confronto também ocorre pelo receio do rei ser considerado imbecil pelos seus súditos, ou seja, pelos que também pensam como ele. Porém a essa altura do desenvolvimento o ser que esteja no nível do décimo primeiro Trabalho não espera recompensas no plano material.

É interessante perceber a relação entre o nono Trabalho, onde a meta espiritual é claramente visualizada, identificada; o décimo, onde depois de visualizada, se é alcançada, o que possibilita a limpeza do subconsciente coletivo; e agora neste décimo primeiro, onde o buscador “volta” ao plano material para colaborar com sua purificação. Hércules desce da montanha que havia subido, simbolicamente representada pelo signo de Capricórnio, e vai limpar estábulos.

Devemos nos atentar que apesar de ter que limpar os estábulos que jamais foram limpos, o herói o executa sem se contaminar com os dejetos, mas sim encontrando uma solução intuitiva que o faz aproveitar os rios para a lavagem dos estábulos malcheirosos. São dois os rios utilizados mostrando a união pelas polaridades com o objetivo de purificação.

Alice Bailey nos ensina que a fraternidade aquariana aqui proposta ainda não existe entre nós. Ela permitiria que cooperássemos sem a utilização de comunicações que existem no plano material como cartas, panfletos ou livros. Porém ela será futuramente alcançada quando automatizarmos inteligentemente o nosso mental. Mantendo as devidas proporções, essa comunicação cooperativa já existe entre as abelhas e as formigas.

O signo de Aquário simboliza a fraternidade e a genialidade entendida como o aspecto novo, original. São dois os rios do Mito, assim como são duas as vertentes do vaso invertido no signo de Aquário. O rio do amor está relacionado com a fraternidade interna e o rio da vida é a genialidade que se consegue quando os limites são dissolvidos, ou seja, quando nada pode impedir a manifestação da Vida.

A sugestão para aplicação cotidiana objetiva aperfeiçoar a harmonia entre as pessoas por meio da quebra dos limites identificando e transformação dos confrontos e aperfeiçoamento do serviço. Serviço que já foi amplamente praticado nos Trabalhos anteriores, mas que aqui adquire uma nova sutileza. Buscar o que há de melhor nos outros requererá uma grande abnegação e amor ao próximo e uma conseqüente união.

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