Leveconsciencia

Simplicidade, Leveza e Relevância

A Captura da Corça

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Câncer

Quarto Trabalho:

A Captura da Corça

Silencio profundo. Uma paisagem serena estende-se para além do portal. No horizonte vislumbra-se um templo; a meia distância, sobre uma elevação, está a corça, jovem, esguia. Hércules observa-a atentamente, procurando escutá-la. Imóvel e silencioso, ouve então uma voz que vem dos arredores do templo e que afirma categoricamente: “Esta corça é minha. Fui eu quem a alimentou durante todo esse tempo”. Logo a seguir, eleva-se outra voz, competindo com a primeira: “Não, a corça é minha! Finalmente ela me poderá ser útil e, portanto, ficarei com ela”. Hércules permanece atento, imparcial, ouvindo as duas vozes em disputa. Agora, uma terceira voz, interna, é escutada pelo herói: “A corça não é de quem a está reivindicando, mas sim do Deus do templo”. Muito decidida, assevera que Hércules é quem deve capturar a corça, sem, todavia, entregá-la a ninguém e nem tampouco tomá-la para si, mas conduzi-la ao templo mencionado. Hércules atravessa o portal, deixando, porém, para trás vários presentes que recebera no passado. Este sinal de despego é importante, porque prepara seu ser para a renúncia que deverá fazer a seguir. Artemísia, primeira voz que se fizera ouvir, e Diana, que se expressara em seguida, estão, a esta altura, observando atentamente todos os movimentos do herói. Empenham-se em desviá-lo da meta proposta, ao mesmo tempo que vigiam a corça, que ambicionam. As duas começam, a partir daí, a tentar bloquear os esforços de Hércules. Ele vai ao encalço da corça por todas as partes, e tem sua tarefa dificultada pela presença e pela interferência possessiva de Artemísia e de Diana. Assim, durante um ano, de montanha em montanha, escondendo-se pelas florestas, tenta capturar o animal, sem o menor resultado. Mas o herói não desiste e consegue acompanhá-lo, ainda que de longe. Finalmente, um dia a corça, cansada da fuga, estende-se na relva para dormir. Hércules aproxima-se dela em passo silencioso, cautelosamente, sem nenhuma ansiedade, as mãos prontas para apanhá-la, se for o caso de agarrá-la de imediato, e os olhos firmes sobre ela. No momento oportuno, dono de si e dos seus movimentos, dispara uma flecha que lhe atinge a pata. Impossibilitada de caminhar, a corça não se move quando Hércules se aproxima, e ele, segurando-a nos braços, mantém-na firme, apoiada sobre o próprio coração. O herói dá, então, por terminada a busca da corça, mas, em vez de levá-la ao templo, passa a lamentar-se, relembrando todos os sacrifícios por que passara, dizendo, para que o Instrutor o ouça, que buscara a corça por muitos lugares, que atravessara florestas, planícies, bosques… “Enfrentei a natureza selvagem, os desertos, resisti aos obstáculos que dificultavam meu trabalho, esforcei-me, enfim, persisti. Decididamente, a corça é minha!”, diz ele. “A corça é minha!”, repete. “Você se engana”, ressoa a voz conhecida do Instrutor invisível. “A corça não pertence a nenhum de vocês, mas deve ser conduzida ao templo onde moram todos os filhos de Deus.” Hércules tenta esclarecer-se então sobre o assunto, já que parte do seu ser insiste na posse da corça: “Mas, por quê?” E, tentando uma justificativa que poderia ser persuasiva, argumenta: “Não vê que a seguro junto ao coração?” O Instrutor procura, então, transmitir-lhe algumas verdades que sua mente conturbada não conseguia captar. Pondera procurando fazer com que Hércules perceba que, como filho de Deus, deveria considerar aquele templo como sua própria morada. “Se a corça estiver lá, vocês não estarão juntos? Ou você não irá morar lá?”, pergunta-lhe. Hércules nada responde e o Instrutor acrescenta: “Por que você não compartilha da vida dos filhos de Deus?” Isso porque os filhos de Deus vivem todos no templo, sem se preocuparem em ter posses. Encontrando ressonância na mente de Hércules, amorosamente, fala-lhe o Instrutor: “Deixe a corça no templo”. O herói acede. Leva o animal para dentro do recinto e coloca-o bem no centro. No momento, porém, em que vê sua pata ferida, volta a sentir-se com direitos sobre ele. ” A corça é minha”, insiste. Artemísia, que permanecera do lado de fora do templo, ouve esta última frase e retruca que a corça é dela, pois que, afinal, durante toda a vida vira seus reflexos na água dos rios e dos lagos e sempre seguira seu caminhar pela Terra. Considerava-se ela dona de todas as formas… Tendo em vista esses fatos, o Deus daquele templo resolve pronunciar-se definitivamente: ” A corça é minha. Todos os espíritos repousam em meu seio — portanto esta corça também”. Voltando, então, o olhar para fora, dirigiu-se às duas jovens: ” Artemísia, não entre neste templo. Você, Diana, pode fazê-lo, mas somente por alguns instantes”. Diana, um pouco acanhada, entra e, ao ver a corça, que lhe parece morta, é tocada pela cena e apela: “Por que não podemos estar no templo, como ele?” O Deus responde-lhe que Hércules trouxera a corça amorosamente e que a pousara sobre o próprio coração. Assim termina este teste, com a corça sob a tutela do Deus do templo, mantida, pois, em lugar sagrado.

Indo-se dali, Hércules ouve do Instrutor a recomendação de olhar outra vez para o templo. Do portal, ele divisa a paisagem que lhe é familiar e reconhece uma jovem corça andando sobre as colinas. O herói permanece atônito, sem nada compreender, e, proveniente de um nível muito elevado, ouve-se, a seguir, uma voz diferente de todas: “Pacientemente, é preciso buscar a corça e levá-la como presente ao lugar sagrado. Isso é feito século após século, incontáveis vezes, até que de lá ela não saia mais”. Silenciada a voz vinda do alto, Hércules prossegue sua caminhada conforme orientação de seu Instrutor.

Extraído do livro HORA DE CRESCER INTERIOMENTE. Trigueirinho.

Câncer é o último do que poderíamos chamar dos quatro signos preparatórios. (…) Câncer é um signo da massa, e as influências que dele fluem são consideradas por muitos esotéricos como causadoras da formação da família humana da raça, da nação e da unidade familiar. (…) Em Áries, o aspirante se apossa de sua mente e procura submetê-la às suas necessidades, aprendendo o controle mental. Em Touro, ” a mãe da iluminação”, ele recebe o primeiro lampejo daquela luz espiritual cujo brilho aumentará progressivamente à medida que ele se aproxima de sua meta. Em Gêmeos, ele não só se apercebe dos dois aspectos de sua natureza, como o aspecto imortal começa a crescer às custas do mortal. Agora, em Câncer, ele tem seu primeiro contato com aquele sentido mais universal que é o aspecto superior da consciência da massa. Equipado, pois, com uma mente controlada, com uma capacidade para registrar a iluminação, habilidade para estabelecer contato com seu aspecto imortal e reconhecer intuitivamente o reino do espírito, ele está agora pronto para o trabalho maior. (…) Três palavras resumem a auto-percepção objetiva ou do aspecto consciente do ser humano em evolução: instinto, intelecto e intuição. O signo que estamos agora estudando é o signo do instinto; mas a sublimação do instinto é a intuição. Assim como a matéria tem que ser elevada ao céu, o instinto igualmente tem que ser elevado, e quando é assim transcendido e transmutado, ele se manifesta como intuição (simbolizado pela corça). O estágio intermediário é o do intelecto. A grande necessidade de Hércules agora é desenvolver a intuição e familiarizar-se com aquele reconhecimento instantâneo da verdade e realidade que é a alta prerrogativa e o potente fator na vida de um liberto filho de Deus. (…) Entre as histórias esta é uma das mais curtas, mas embora poucas coisas sejam ditas, este trabalho, quando refletimos sobre ele, é de profundo interesse e da maior importância a lição que ele encerra. O aspirante não obtém sucesso até que tenha transmutado instinto em intuição, nem há uso correto do intelecto enquanto a intuição não está presente para interpretar e ampliar o intelecto e produzir a realização. Então, o instinto estará subordinado a ambos.

Vimos que o gamo que Hércules procurava era sagrado para Artemísia, a lua, e também disputado por Diana, a caçadora dos céus, e por Apolo, o deus-sol. Uma das coisas freqüentemente esquecidas pelos estudantes de psicologia e por aqueles que investigam o desabrochar da consciência do homem, é o fato de que não existem distinções nítidas entre os vários aspectos da natureza do homem, mas que todas são fases de uma única realidade. As palavras instinto, intelecto e intuição, são apenas aspectos variados da consciência e da resposta ao meio e ao mundo no qual o homem se encontra. O homem é um animal, e como qualquer outro animal, ele possui a qualidade do instinto e da resposta instintiva ao seu meio ambiente. O instinto é a consciência da forma e da vida celular, o modo da forma estar consciente, alerta, e portanto, Artemísia, a lua, a regente da forma, disputa o gamo sagrado. Em seu próprio lugar, o instinto animal é tão divino quanto aquelas outras qualidades que consideramos como mais estritamente espirituais. O homem, porém, é também um ser humano; ele é racional; ele pode analisar, criticar, e ele possui aquilo a que nós chamamos a mente e aquela faculdade de percepção e resposta intelectuais, que o distingue do animal, que lhe abre um novo campo de consciência, de percepção, mas que, ainda assim, é simplesmente uma extensão do seu aparelho de resposta e o desenvolvimento do instinto em intelecto. Por intermédio de um, ele toma consciência do mundo dos contatos físicos e das condições emocionais; através do outro ele percebe o mundo do pensamento e das idéias, e por isso é um ser humano. Quando ele alcança aquele estágio de percepção instintiva e inteligente, então “Euristeu” indica-lhe que há outro mundo do qual ele pode igualmente tornar-se consciente, mas que tem seu próprio método de contato e seu próprio aparelho de resposta. Diana, a caçadora, reclama a corça porque para ela a corça é o intelecto. Porém, o gamo possuía uma outra forma, esta mais esquiva, e era esta a que Hércules, o aspirante, buscava. Durante um ciclo de vida, ele caçou. Não era a corça, o instinto, que ele procurava; não era o gamo, o intelecto, o objetivo de sua busca. Era algo mais, e por este algo mais ele passou um ciclo de vida caçando. Finalmente capturou-o e levou-o para o templo, onde ele foi reclamado pelo deus-sol, que reconheceu na corça a intuição espiritual, essa extensão da consciência, esse altamente desenvolvido sentido de viva percepção que dá ao discípulo a visão de novos campos de contato e lhe revela um novo mundo de ser. É-nos dito que a batalha continua ainda entre Apolo, o deus-sol, que reconhece na corça a intuição, Diana, a caçadora dos céus, que nele via o intelecto, e Artemísia, a lua, que julgava que ele fosse apenas o instinto. As duas deusas reclamantes têm razão, e o problema de todos os discípulos é usar o instinto corretamente, no seu devido lugar e de modo adequado. Ele tem que aprender a usar o intelecto sob a influência de Diana, a caçadora, a filha do sol, e por meio dele entrar em sintonia com o mundo das idéias e da pesquisa humanas. Ele tem que aprender a levar essa capacidade que possui para o templo do Senhor e lá vê-la transmutada em intuição, e por meio da intuição tomar consciência das coisas do espírito e daquelas realidades espirituais que nem o instinto, nem o intelecto lhe podem revelar. E muitas e muitas vezes os filhos dos homens, que são também filhos de Deus, têm que recapturar essas realidades espirituais, ao longo do Caminho infinito.

Extraído do livro OS TRABALHOS DE HÉRCULES. Alice Bailey

Sugestão para aplicação prática desse estudo:

Objetivo: desenvolver e reconhecer o intuitivo.

1-Reconhecer o nível de onde se originam os impulsos: instintivo, intelectual e intuitivo e procurar optar pela mais sábia escolha.

2-Submeter o impulso instintivo ao controle do plano intelectual. Usar o intelecto segundo a necessidade grupal de existência.

Quanto mais se usar o intelecto para as necessidades grupais mais se abre espaço para o plano intuitivo, pois este reconhece o ser como um servidor em potencial.

Reflexões Sobre o Quarto Trabalho 

Precisamos ter sempre em mente que se estamos sinceramente procurando o desenvolvimento interior, passamos a emitir vibrações mais elevadas. Essas vibrações passam a atrair fatos que nos propiciam executar o exercício a que nos propomos. Então, durante a realização dos exercícios deste quarto Trabalho, se estivermos integralmente engajados na sua elaboração, atrairemos fatos que nos permitam desenvolver a intuição. Quanto mais enfocarmos os fatos com essa visão, mais circunstâncias favoráveis serão fornecidas, cada vez mais significativas e proveitosas.

O objetivo deste quarto Trabalho é transmutar o impulso instintivo em impulso intuitivo. O plano instintivo é o plano das massas. Estas se comportam instintivamente, freqüentemente sem sabedoria e de forma previsível e, portanto, controlável . O quarto Trabalho desenvolve o intuitivo a partir da elevação dos impulsos. Permite que o ser se destaque da massa instintiva, que se individualize enquanto ser que busca a Luz e que se torne um servidor consciente. De uma certa forma é uma separação da massa. Tal separação é relativa pois quanto maior for o desenvolvimento intuitivo alcançado, maior será a percepção da necessidade de servir. Quanto mais o indivíduo ampliar o alcance de seu serviço, mais facilmente perceberá que com o serviço, ele volta a incluir-se nessa Grande Fraternidade que é a Humanidade. Já vimos que o serviço é a ponte para a sua inclusão no Todo. Dessa maneira, o ser retorna a esse Todo que aparentemente se separou ao deixar de ser meramente instintivo, só que no degrau seguinte da infinita espiral evolutiva.

A sugestão de realizar os exercícios cumulativamente começa a ficar mais compreensível a partir de agora. Para desenvolver a intuição é fundamental utilizar o amadurecimento conseguido com a prática dos três primeiros Trabalhos. No primeiro Trabalho, elevamos a qualidade do pensamento; no segundo, a qualidade do desejo, do emocional; no terceiro construímos a ponte entre o mundo material e o imaterial; e para o quarto, precisamos aplicar todos ao mesmo tempo, senão como receberemos uma intuição? Eles são pré-requisitos.

É necessário esclarecer, que o instinto é importante, ele possui uma função essencial. O instinto mantém a integridade da forma através de seu impulso para que nos alimentemos, para que tenhamos atitudes cautelosas, para que possamos reproduzir. A atitude humana é que corrompeu o impulso instintivo quando exagera, quando gera a competição.O homem quer as coisas só para si. Quer acumular bens materiais com medo que algo lhe falte ou para que possa dominar aqueles que nada posuem. A causa desse distúrbio da percepção instintiva é o distanciamento do homem para com sua verdade interna que sabe que todos somos unidos, que todos pertencemos à mesma fraternidade. Suplantamos essa dificuldade quando submetemos os impulsos instintivos ao controle do plano intelectual. O intelecto discerne e usa o impulso preferencialmente quando este for direcionado para as necessidades grupais de existência. Na medida em que abrimos mão desses impulsos mais primitivos e que assumimos a condição de filhos de Deus, usando a intuição, passamos a pertencer ao Todo onde tudo pertence a todos. “A corça é depositada no templo”.

Podemos também perguntar: como distinguir entre uma intuição verdadeira e uma idéia do pensamento? Primeiramente, precisamos ter humildade para reconhecer que no início teremos alguma dificuldade, e isso é compreensível. Mas qualquer amadurecimento requer prática, conseqüentemente, é necessário praticar. Praticar insistentemente, determinadamente. O “cervo” é imprevisível, não se captura com facilidade, ele tende a escapar. É necessário persegui-lo constantemente. Para facilitar o reconhecimento, avaliemos a repercussão que o “impulso” ocasionará, se for implantado. A quem ele atenderá. Se ele só atender a nós mesmos, possivelmente ele se originou no plano mental, mas se sua proposta tiver alcance amplo, fraterno, amoroso, possivelmente terá vindo do mundo interno. Ainda que tenha se originado no mental, se ele objetivar ser altruísta, já terá sido um ótimo passo no sentido intuitivo e uma comprovação de nossa intenção. A persistência dessa intenção na vida cotidiana é importante para sinalizar ao plano interno o destino que queremos dar às nossas vidas. Ciente disso, o interno passa a enviar as intuições adequadas pois saberá que suas mensagens serão corretamente utilizadas, que não serão desperdiçadas.

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