O PEQUENO MANUAL PARA CRIAR SEU FILHO:
De 0 a 3 anos
Silvia Mangaravite
Psicóloga, psicanalista e gerontóloga

Sempre ouvi as mães dizerem: filho não vem com manual. O que elas diziam quando falavam isso? Que para determinadas ações das crianças ou bebês, elas ficavam sem saber como agir.

Agora que sou mãe e avó, creio que posso ajudá-las dando algumas ideias de como agir diante de certas circunstâncias, e, é claro, a partir não somente de minha experiência, mas também de meu conhecimento de 40 anos de clínica psicanalítica.

O Começo

Vamos começar do início: quando sabemos da gravidez. É importante desde o começo sabermos que temos que falar com nosso bebê sempre de uma forma amorosa e positiva. Mesmo quando pensamos que o bebê está se movimentando muito dentro de nossa barriga, mesmo que achemos que ele ficou bravo ou nervoso por algum motivo nosso, falemos com ele de modo afetuoso e interrogativo, tipo: meu amor, desculpa a mamãe, ficou zangado com isso ( algo que você fez ou falou), entendam, passar uma mensagem amorosa e positiva, é de extrema importância. Por isso devem fazer isso o tempo todo. Mesmo quando esta gravidez for indesejada.

Se durante nossa gravidez, devemos agir assim, imagine então quando nascem?
Assim que o bebê nasceu ao olhar para ele pela primeira vez, vamos lembrar que muitas vezes, apesar de muitas mulheres olharem seu bebê pela primeira vez e terem a impressão apaixonada de que estão diante da coisinha mais linda da face da terra, outras tantas podem sentir uma estranheza, não acharem bonito o bebê, verem um nariz torto, enfim, qualquer coisa que não achem bonito e pensarem até, será que nos daremos bem, será que poderei amá-lo, será que saberei ser mãe dele?

Não devem se preocupar com isso, nossos sentimentos não precisam atrapalhar nossas ações. Podem dizer, que coisinha mais linda da mamãe, eu te adoro, você é meu amorzinho, vamos ser muito felizes juntos. Enfim, isso será bom para o bebê e para você também.

Não se preocupe se não é exatamente o que está sentindo, nem se o bebê perceberá, mas sim, que você está dando uma injeção de otimismo e amor neste serzinho que acabou de nascer. Nestes momentos, é melhor esquecer de si mesma e se dedicar ao bebê, pois este que está ali diante de você, não tem nenhuma condição de se virar sozinho e depende totalmente de você para ser saudável psiquicamente ou não.

O Quarto do bebê

Agora vamos passar para os momentos seguintes: vamos para o quarto enquanto o bebê está sendo visto pelos médicos e limpo. Estamos exaustas pelo parto, ou pela cesariana e tudo o que queremos é sossego. Mas se o parto acabar de manhã, as 8 ou 10 horas, a sua mãe, seus irmãos, seus tios, enfim, a família sua ou de seu marido ( caso o tenha, pois, muitas mulheres têm seus bebês sem um pai por perto) estiverem no hospital aguardando o nascimento de seu bebê, é melhor você pedir a todos que te respeitem e a deixem sozinha para tirar uma soneca. Depois você falará com todos.

Mãe sozinha

Agora, se tiver seu bebê como mãe sozinha sem o pai da criança junto a você e se outra situação, brigou com todos da família e está ali na clínica sozinha ou no máximo com uma pessoa, o procedimento com o bebê é o mesmo, mas com uma ou poucas pessoas por perto, é mais fácil, pois é uma só para fazer as suas vontades. Porque nesta situação, nós mulheres, temos a prioridade de escolher descansar neste momento.

As visitas

Agora passemos as visitas: normalmente vem um mundo de gente para nos ver e a nosso bebê. Não pense em agradar nem desagradar a ninguém, este é um momento de dar e receber, aceite os presentes e agrados e agradeça, é o que pode fazer neste momento.

Vamos falar agora de seu bebê e você: trouxeram o bebê para ficar junto com você. Se você está apaixonada por ele, vai querer ficar por perto o tempo todo, nada de descansar, ou não, quer descansar apesar de estar adorando estar com ele. Não tem nenhum problema estas escolhas, dê seu peito pois o colostro é a vacina que o fará saudável, e se achar que não tem leite, ou que o leite é fraco, ou seu peito rachar e doer, ou, ou, ou, tantos ous, não se preocupe, tudo tem solução, qualquer solução aí é válida, isso não trará problemas futuros para o bebê e os hospitais e clínicas sabem muito bem sobre o melhor a fazer com isso.

Bebês adotados

E se seu bebê não for seu biologicamente, se for um bebê adotado assim que nascer? Como fazer? Toda adoção deve ser registrada, fotos do local onde encontraram o bebê, fotos do juiz ou de quem os acolheu para esta adoção, enfim, é importante registrar para que depois faça um álbum para a criança manusear desde pequena, pois estes registros serão a sua placenta imaginária onde esta criança foi gerada e garantirá a aceitação total desta adoção pela criança, sendo você a mãe e seu parceiro o pai. Entendam, é fundamental para o psiquismo desta criança, não carregar o fantasma da adoção criada pelos pais adotivos, portanto não construam este fantasma. Basta que tratem tudo como a realidade que encontrar.

Amamentação e alimentação

Continuando, o leite materno deve ser dado até o sexto mês do bebê. Se a mãe tem muito ou pouco leite ou é adotado, isso não tem importância, pois há instituições que cuidam desta questão de aleitamento há vários anos e poderão orientá-las melhor que eu. Procurem no Google.

Quando introduzir papinhas ou sucos é importante que seja orientado pelos pediatras e quero dizer aqui, que é fundamental a criança coma todos os alimentos próprios para a idade, sem açúcar ou sal para que ela possa conhecer os sabores de forma adequada.
Normalmente o melhor para os bebês é introduzirmos rotinas, de tanto em tanto tempo tem as mamadas, papinhas e soninhos. Sabe o bebê que a mãe diz que não dorme sem a mãe ou pai estarem juntos? São eles que o acostumaram assim. Bebês aceitam nossas direções e é bem melhor, quando estas direções são claras e precisas, pois a caminha ou bercinho do bebê é dele e seu espaço de segurança, portanto deve dormir neste espaço, E sozinhos, pois o ato de dormir é totalmente privado para todos. Entendem que se mexerem nisso a tendência é só complicar? Uma criança ou bebê que acorde o tempo todo durante a noite, não é saudável nem fisicamente nem psiquicamente.

Fale com o bebê

É importante que vocês falem com o bebê desde antes do nascimento, e continuem a falar depois do nascimento. Falando com eles, estimularão neles a fala e a partir do terceiro mês, comecem a mostrar cores, bichinhos e nomear tudo. Cantar canções de bebês é um ato de amor também. Se você falar com ele, brincando, cantando, mostrando os brinquedinhos coloridos, isso poderá estimular não somente a sua fala, mas também a inteligência e percepção do bebê.

Bebês precisam de carinho

E nunca, mas nunca em nenhuma idade ou momento gritem com eles ou perto deles. Os gritos os assustam e os ensinam a gritar. Se tem falta de controle sobre isso, busquem análise, busquem ajuda, mas nunca façam isso.

Quando maiorzinhos que precisamos a ensinar a não enfiar nada nas tomadas, não colocar coisas perigosas ou impróprias como caneta, celular, nas mãos de bebês. Mães que colocam celular nas mãos de bebês de 2 anos para assistir desenhos no youtube, não façam esta escolha, pois a interação do bebê com pessoas e brincadeiras é necessária, pois educar dá trabalho e por isso digo, temos que amar muito para educar, pois o amor, dá muito trabalho.

Bebês precisam de carinho, aconchego, sentirem-se acolhidos e amados. Sempre que tiver que ensinar algo e o bebê fez diferente, digo diferente porque ele ainda não sabe o que é certo ou errado, isso depende de ensinamento, antes do sétimo ano de vida, a noção de certo ou errado será construída com a sua ajuda, do seguinte modo: Se o bebê pega alguma coisa proibida, não grite, pegue da mão dele, e olhe nos olhinhos dele dizendo não pode! Só isso. Porque não pode por isso ou aquilo, até o terceiro ano de vida, não é compreendido. Por isso tudo o que não pode tem de ser sinalizado com este não pode sem nenhuma outra explicação. E se for um comportamento repetitivo do que não pode, abaixe-se na altura dele e diga, ficará de castigo para lembrar que não pode. Isso podemos começar desde o segundo ano de vida. Mesmo que ele não fique, será sua insistência nisso que o fará mais tarde obedecer e não correr nem gritar no restaurante. Ficará na cadeirinha de bebê com algum brinquedinho se distraindo depois de você lhe dar a papinha.

Crie uma rotina

Lembrem-se, dormir no quarto dele sozinho, comer em determinados horários, tomar banho etc., são rotinas necessárias para a estabilidade e tranquilidade das crianças pequenas. Quando forem crianças maiores, terão comportamentos muito mais adequado e tranquilo se vocês lhes derem estas rotinas.
Sei que esta fase é exaustiva, mas digo, vale muito a pena educá-los desde cedo. Estabelecer uma rotina, sem gritos em família, sem discussões entre os casais, te parece impossível?

Não é, pois primeiro, quem grita está desequilibrado, não é pelo grito que alguém escutará o que quer dizer, muito pelo contrário, quanto mais gritar, menos será ouvido. Você pode escolher, ter uma família desequilibrada, tensa e briguenta, resultará em pessoas difíceis tanto para elas próprias, quanto para os outros. Por isso fazer uma análise desde cedo é fundamental para se ter um relacionamento bom e tranquilo, apaixonado e criativo, responsável e entusiasmado. Tudo isso ao mesmo tempo.

Bebês precisam dormir bem

Agora falarei de como fazer para as crianças pequeninas dormirem a noite toda em seus bercinhos: Primeiramente devemos colocar o pequenino no berço e deixar o ambiente com uma luminosidade indireta, na penumbra. Cante uma musiquinha de ninar com o bebê no bercinho. E depois disso, saia do quarto, dando boa noite. Se ele chorar quando você se afastar, não olhe para trás, deixe-o chorar até dormir. Repita isso por mais sete noites e verá que ele parará de chorar ao seu sinal de boa noite. Sei que dói o coração ouvir o bebê chorar, mas é necessário que saibamos que é o melhor a fazer para ensiná-lo a dormir bem e a noite toda.
Quando estiver maiorzinho e já usar uma caminha que ele sai dela sozinho, e estiver com dificuldade de dormir sozinho, deixe-o do lado de fora do quarto de vocês, não abre a porta para a criança pequena vê-la, é o mesmo método, sete noites e isso acaba.


Lembre-se sempre que dormir a noite toda é fundamental para o equilíbrio psíquico da criança e para seu crescimento físico.
Tomar banho caso seja um problema, difícil acontecer até o terceiro ano de vida, mas caso aconteça, abaixe-se e o segure pelos bracinhos suavemente e lhe diga: vamos agora tomar banho. Olhando-o nos olhos sempre que for dar uma ordem. E levá-lo para o chuveiro ou banheira.

Hora de ensinar a ter controle

Vamos passar agora para o controle dos esfíncteres. É até o terceiro ano de vida, que as crianças aprendem a controlar os esfíncteres. E como fazer? Depois dos dois aninhos podemos começar a fazer isso. Primeiro de dia. E só depois que estiver pronto de dia é que passamos a ajudá-los a fazer o controle a noite.
Vamos lá: comece a tirar a fralda de manhã e avise a seu bebê: vamos ficar sem fraldinha? Quando tiver vontade de fazer pipi, avisa a mamãe. E pupu também.
É claro que os pequeninos esquecerão várias vezes. Mas você deve ficar atenta aos horários que acontecem e levá-los ao peniquinho ou ao vaso sanitário coberto com a tampo pequena própria para eles e sentá-los igual a mamãe ou fazer em pé igual ao papai. E dizer isso a eles. Ao mesmo tempo assim que fizerem as necessidades, valorizar tanto eles próprios por terem feito no lugar certo quanto as próprias necessidades, com um que legal que você fez, que pupu lindo que você fez é necessário valorizar, pois os bebês dão seus excrementos como um presente aos pais. Sei que pode parecer estranho, mas ali não passa de um objeto que a criança está dando dela para os pais. O valor dado que você tem, não é o mesmo da criança pequena.

Depois que conseguir isso, passe para a noite. Você verá que a criança quando está aprendendo o controle de esfíncter de dia, muitas vezes acorda com a fralda seca. Portanto será bem mais fácil. É só lembrar de fazer a criança antes de dormir fazer pipi e falar para ela que mesmo que tiver somente um pouquinho, é melhor deixar lá, para não fazer pipi na cama.
Portanto aos três anos de vida, o usual é que a criança fale corretamente e controle os esfíncteres.

Amor da trabalho

Você deve estar pensando que tudo isso pode não ser fácil de fazer, mas torno a repetir, amar dá trabalho, pois quem ama, educa.
E se fizerem tudo isso, podem ter certeza de que seu filho não terá uma estrutura psíquica diferente da normalidade. Pois é importante que saibam, até o terceiro ano de vida é o tempo necessário para que a estrutura psíquica do ser humano se constitua. As estruturas psíquicas da humanidade são: Neuroses ( a chamada normalidade), Psicoses ( esquizofrenia, psicose paranoica, psicose maníaco-depressiva, melancolia). Perversões ( pedofilia, fetichismo, sadismo, masoquismo, e outras diversas que serão muitas para falar aqui) e o autismo, que não chega a se estruturar completamente, fica numa posição subjetiva anterior a estruturação.
E lembrem-se, crianças devem falar as primeiras palavras entre os 10 meses e 1 ano e meio. Se não falam, e já tem um diagnóstico de não haver surdez, procurem um psicanalista, pois somente assim haverá chance de tornar sua criança, um adulto normal.


Recapitulando:

1 – Falar sempre com o bebê mesmo antes dele nascer, amorosamente e positivamente. E falar sempre com eles, por isso precisamos ser bastante loucas para falarmos com quem não fala conosco ainda.
2 – Não gritar nunca, usar tons normais, afetuosos, brincalhões e sérios, mas nunca gritos.
3 – Até o terceiro ano do bebê, é importante que as mães tenham seus momentos de descanso e lazer.
4 – Sempre que for ensinar algo, é necessário abaixar-se na altura da criança e falar olhando em seus olhinhos.
5 – Estabelecer rotinas torna a criança segura e tranquila.
6 – E por fim, amar sempre dá MUITO trabalho.

E por último quero lembrar-lhes de algo muito importante: educar é disciplinar, e disciplinar é responsabilizar. Não queremos que nossos filhos sejam dependentes e incapazes quando adultos e muito menos que nos desrespeitem. Portanto educar e orientar para fazerem o correto desde muito cedo é fundamental. Não criarmos reizinhos desde pequenos é amar muito os nossos filhos, pois reizinhos voluntariosos, serão déspotas dependentes de você, até você morrer.

PS: Aguardem os próximos livros de 3 a 7 anos e depois de 7 aos 14 anos e por fim os de 14 aos 18 anos.

Silvia Mangaravite
Psicóloga, psicanalista e gerontóloga

silviamangaravite@gmail.com