Certa vez Einstein disse que a teoria quântica lhe sugeria “um sistema de ilusões de um paranoico extremamente inteligente, maquinado a partir de elementos de pensamentos incoerentes”. Mas, é justamente aí, no cunhar de uma nova estrutura conceitual para a nova física, que está o verdadeiro desafio cultural da ciência moderna. As informações, contidas nesta aula, foram extraídas do livro de Danah Zohar, o Ser Quântico.

É difícil perder os velhos hábitos culturais ou intelectuais. As categorias newtonianas de tempo, espaço, matéria e causalidade impregnaram tão profundamente toda nossa percepção de realidade que emprestam sua cor e todos os aspectos de nossa forma de pensar sobre a vida, e não é fácil imaginar um mundo que seja diferente de tudo que até então era considerado real.

A mais revolucionária e, para nossos fins, a mais importante afirmação que a física quântica faz acerca da natureza da matéria, e talvez do próprio ser, provém da sua descrição de dualidade onda-partícula, quando afirma que todo ser, no nível subatômico, pode ser igualmente descrito como partículas sólidas ou como ondas.

Mais que isto, a física quântica prossegue dizendo que tanto o aspecto onda como o aspecto partícula devem ser levados em conta quando se procura compreender a natureza das coisas. A “substância” quântica é, essencialmente, ambos: o aspecto onda e o aspecto partícula simultaneamente.

De uma forma jocosa, afirma sir William Bragg que as partículas elementares parecem ser ondas nas segundas, quartas e sextas e partículas nas terças, quintas e sábados.

Na física de Newton presumia-se que o ser, em seu nível mais básico e indivisível, consistia em partículas pequeninas e distintas entre si, e os átomos que colidem, se atraem e se repelem uns aos outros. Enquanto, os movimentos de onda, como o da luz, eram considerados vibrações que ocorriam numa espécie de gelatina, não sendo coisas fundamentais por si mesmas. Era assim que, ondas e partículas tinham o seu papel dentro da física newtoniana, sendo as partículas consideradas mais básicas, e delas é que a matéria se formava.

No entanto, para a física quântica, tanto ondas como partículas são igualmente fundamentais. Uma e outra são formas pelas quais a matéria se manifesta, e as duas juntas são o que a matéria é.
Segundo o Princípio da Incerteza de Heisenberg, as descrições do ser como onda e como partícula se excluem mutuamente. Embora ambas sejam necessárias á compreensão geral do que seja o ser, somente uma está disponível num determinado momento do tempo.
Consegue-se medir ou a exata posição de algo, como um elétron, quando ele se manifesta como partícula ou se expressa como onda, mas nunca se consegue fazer a medida exata de ambas ao mesmo tempo.

É como se estivéssemos eternamente condenados a enxergar sombras em meio à neblina. Esta realidade, para a física quântica, é a eterna realidade, não existe outra. Os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg argumentam que a realidade em si é essencialmente indeterminada, tudo é uma questão de probabilidades.

Einstein nunca concordou inteiramente com isto, pois alegava que Deus não joga dados com o Universo. Mas, não só Einstein, muitos outros físicos, inclusive quânticos, têm dificuldades de aceitar e entender esse indeterminismo.

E querem que nós seres comuns possamos entender tantas incertezas e indeterminações? Só louco, ou quase!

E quanto ao jogo de dados no cassino do Céu, pode ser que Deus já saiba previamente todos os resultados, antes mesmo de lançar os dados. Se assim for todos têm razão, tanto Einstein, como Bohr e Heisenberg.

Gilberto Gonçalves
07/11/2021