Nos mundos ocultos, parece também haver sessão de cinema, pelo menos é o que nos revela o capítulo 8 do livro que estamos destrinchando, A Barreira do Tempo. O filme que está em cartaz começa com as tradicionais questões – “De onde viemos? Onde estamos atualmente? Onde vamos parar dentro da Marcha do Tempo?”.

Assinale-se que, a física moderna não mais reconhece a passagem do Tempo, que é considerado como uma dimensão integral do Espaço e, que como tal, não pode mais escoar-se, como não pode se prolongar, aumentar ou diminuir.

Num plano bem definido, o passado e o futuro podem ser considerados como estando colocados em um mapa aberto à nossa frente, tão prontos para serem examinados como os pontos alinhados no Espaço. Os acontecimentos não chegam, eles já estão à nossa espera.

Tal determinismo não parece ser aceitável entre certos pesquisadores científicos devido aos elementos imprevisíveis do futuro.

O presente é uma insignificante diferencial entre duas extensões infinitas – o passado e o futuro. Matematicamente, essa diferencial ou agora é igual a zero.

Qual é a duração do agora? Um micro-segundo ou menos ainda? Poderíamos dividir esse agora em frações infinitesimais de micros segundos sem jamais chegar ao instante presente.

O passado é qualquer coisa que já não existe mais. O futuro é tudo que ainda não existe. O presente existe. O único instante que parece real é esse intangível momento de transição entre o futuro no presente e o presente no passado.

Entretanto como pode alguma coisa ser real se ela serve de traço de união entre duas coisas irreais?

A galeria do Tempo nos mostra uma sucessão de agoras. A única maneira de distingui-los é a de perceber que alguns deles são depois e outros antes.

Os fatos que estão depois do presente são considerados como futuros. Os acontecimentos que se encontram antes do presente são passado. Sem um ponto arbitrário como o hoje e o agora a partir do qual os acontecimentos são contemplados, seria impossível determinar o que é passado ou futuro.

É errôneo considerar o passado como um fantasma. A cada instante, nos mundos físicos e mentais, é assinalada alguma atividade. Tenhamos ou não consciência do mesmo, o passado possui uma existência real.

A vida é uma série infinita de agoras como uma apresentação cinematográfica de um filme que possuísse um milhão de quadros.

Essa imagem cinematográfica parece não ter interrupção porque os agoras nunca acabam, eles se repetem indefinidamente.

O Destino é sempre jovem e a história é escrita hoje. O que para nós quer dizer que hoje é futuro e amanhã será passado.

A dificuldade para compreender a essência do Tempo reside em nossa incapacidade para considerá-lo de forma objetiva, porque, segundo o físico quântico Niels Bohr ”Somos, ao mesmo tempo, espectadores e atores no grande drama da existência.

A grande questão é saber se no cenário da vida, nós repetimos as palavras de um script preestabelecido ou improvisamos nosso papel? Nosso passado nos segue como uma sombra escura. O que somos hoje é o resultado de nossos desejos, pensamentos e atos de ontem. Para certas coisas parecemos ter liberdade de escolha, e para outras, não.

Se um país é assolado pela guerra, é mais provável que todos sofram, do que poder evitar-se o sofrimento e a devastação. Se um homem for velho e doente, é provável que não viverá mais vinte ou trinta anos.

Um indivíduo sem instrução e educação tem menos oportunidade de progredir na vida. O destino do ser humano está normalmente estampado em seu rosto. Entretanto, existe uma coisa da qual podemos ter certeza – é a de que as causas passadas projetam de forma invisível os seus efeitos futuros.

A História seria assim uma longa representação cinematográfica, um longo filme que se estenderia desde os primeiros tempos até o tempo atual. Este filme existiria em uma dimensão que, em nosso mundo, seríamos incapazes de perceber?

A história passada e futura da humanidade existe desde já. Se a realidade do momento atual for reduzida, o alcance do nosso Tempo aumentará. É exatamente o que acontece em nossos sonhos, quando vemos episódios do passado ou fatos de um possível futuro.

O dia de ontem não passa de um hoje apagado. Os acontecimentos do passado podem ser revistos em nossa memória com uma notável nitidez, como uma eterna realidade.

O amanhã não passa de um outro hoje. Porém, de qualquer maneira, o próximo capítulo de toda a existência já está escrito no livro do tempo.

O presente só tem realidade quando considerado como uma porção do eixo de tempo contendo o passado, o presente e o futuro. A vida é um fluxo contínuo do que é para o que não é.

Nós somos hoje o que fomos ontem. Já tivemos numerosos eus. Se o eu preenchesse apenas o instante atual, ele não seria capaz de olhar para frente nem para trás.

Um eu fixado no presente não poderia acumular as experiências, e nem aumentar o seu saber. Um eu que não aspirasse o futuro levaria uma vida sem objetivo.

O eu atual é apenas uma parte do eu maior que está além do Tempo.

O grande Mestre Zoroastro dizia que o sábio recorda-se do passado e compreende o futuro, porém, o ignorante vive unicamente para os prazeres efêmeros do presente.

Esquecer o passado e não cuidar do futuro criam uma atitude de irresponsabilidade em relação a tudo que diga respeito ao tempo futuro

Gilberto Gonçalves