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Não gosto desta ideia de pai herói, embora este seja um desafio de Hércules, porque isso se distância da maioria de nós e do pai humano, que erra e aprende enquanto ensina.

Raramente escolhemos este papel, e na maioria das vezes não estamos preparados. A mãe tem 9 meses para se preparar mas o pai recebe o filho e só então começa seu ofício.

Ser pai dá trabalho porque é uma construção. Talvez o maior desafio para um homem.

Como aprender a ensinar pelo exemplo se ele aínda é um aprendiz e ainda luta com suas próprias fraquezas.

Como lidar com a delicadeza quando ele ainda não dominou sua agressividade masculina.

Como lidar com as dúvidas e incertezas da criança que busca respostas que ele ainda não tem.

Como demonstrar a firmeza, sabedoria e autoridade que ele ainda está em busca.

Como não interferir e deixar o filho cair, se machucar e errar, quando ele ainda comete seus erros, ainda se machuca e precisa se levantar todo dia.

Como demonstrar a coragem e firmeza esperada quando ele está cheio de incertezas.

Se a mãe deve proteger e resguardar o filho, do pai é esperado sabedoria e desprendimento para ver o filho criar asas e seguir seu próprio rumo.

Mas há algo que pode fazer toda diferença, estar junto, participar e cooperar com os planos do filho, sem interferir ou impor suas ideias e experiência, mas sem se distanciar para poder apoiar o filho nos momentos em que ele precisa da ajuda do pai.

Pelo trabalho conjunto o pai pode passar parte de sua experiência e ajudar o filho a encontrar mais facilmente seu caminho.

Ser pai é ser mestre, inspirador e guia, que respeita as escolhas do filho, e  se mantém perto para quando ele cair, para apoiar e orientar.

Ser pai é ser uma referência firme e estável, um porto seguro, que tem autodomínio e controle de suas emoções, que não se desfaz diante das incertezas e desafios da vida, aquele que aponta o caminho, que vai na frente abrindo as estradas.

Talvez por isso que o homem prefira cultivar a figura de um Deus Pai, que nos de a liberdade para viver nossa vida, sem interferir em nossas escolhas, mas que esteja sempre pronto a nos socorrer em nossas dificuldades e enrascadas em que nos metemos, mas sem nos julgar ou nos condenar, oferecendo sempre sua mão amiga.

Minha homenagem aos pais que lutam e se esforçam para alcançar a grandiosidade que é deposita no arquétipo Pai e da expectativa que ele carrega.

Minha solidariedade aos pais aprendizes, novos neste ofício, que ainda lutam com suas fraquezas e enfiam os pés pelas mãos tentando fazer o melhor.

Minha reverência aos velhos pais, já maduros e experientes, que aprenderam enfim a arte de transformar o impulso e a agressividade em tenacidade. Que perderam o medo da sensibilidade e unem razão e emoção, firmeza e sensibilidade.

Felizes os filhos que, ao iniciar sua jornada paterna, podem,  usufruir da companhia dos seus pais maduros e receber sábias lições e inspirações que elevam seus ideias de vida. Talvez eles, tenham a exata noção do grandioso desafio e enxerguem o herói, que foi capaz de domar a si mesmo para cumprir grandiosa missão…

João Sérgio P. Silva