Esse tal de COVID – 19 está cada dia mais famoso, prestando-se a uma série de analogias, dentre as quais a pior de todas, com a morte. Com o vírus, aprendemos sobre a morte, mas também sobre a vida.

Estava refletindo sobre termos novos e atitudes antigas, quando me descobri diante de uma revelação, que, até então, nunca me dera conta, e nem daria, não fosse a epidemia. Vivemos cercados de assintomáticos, correndo os riscos da contaminação, e inocentemente, não seguimos os protocolos espirituais.

Sabe aquela vizinha simpática, que sempre sorri quando lhe encontra no elevador? Ela é uma assintomática da inveja, sente-a mas não revela. Contamina por ser energia, mas ninguém pode acusá-la, pois não manifesta o que sente.

Existem as assintomáticas do ódio, que odeiam os que não seguem os seus padrões de opinião, mas concordam com tudo e com todos, disfarçando os seus sentimentos. Essas pessoas contaminam mais do que quaisquer outras assintomáticas, pois o ódio é o sentimento predominante no mundo de hoje.

E não nos esqueçamos dos assintomáticos da violência, os que pregam a paz e a religião, mas, por não terem coragem de expor os seus sentimentos violentos, apoiam os mais agressivos e defendem os que pregam a violência para a solução de todas as divergências.

Sobre esses assintomáticos, tivemos há pouco tempo, uma multidão deles, que apoiaram os discursos e declarações de um presidente que fez sua campanha defendendo a violência e o direito de matar uma quota de brasileiros que, na opinião dele, mereciam ser eliminados, só porque defendiam pontos de vista divergentes dos dele.

E não é que teve pessoas ditas de bem que concordaram com ele, sem piscar os olhos. E nem quando ele agressivamente ofendeu e humilhou uma mulher, as mulheres com esse assintomatismo cruel e violente, foram contra ele.

Agora, lembrei-me dos assintomáticos da mentira, que abominam os mentirosos, mas são os maiores dentre todos eles. Eles mentem tanto que a mentira se torna a sua verdade, e a cada dia ele inventa uma nova verdade, pelo prazer de enganar o outro, de quem ele ri e humilha, acusando-o de tolo por sempre acreditar no que ele diz.

Não tenho dúvida que, todos esses assintomáticos conduzem consigo o vírus de todas essas doenças, pois, sem exceção todas elas são manifestações doentias. Tudo bem que o mau exemplo vem de cima, mas, o que fazer se ele é a expressão de todos os vícios, não tendo vergonha de se comportar desse modo, por entender que foi escolhido por todos que o apoiam, e que escondem o que possuem de pior, como assintomáticos que são.

Os assintomáticos são mais perigosos do que os que manifestam os sintomas, pois contra estes nos defendemos e nos protegemos, por nunca esconderem os seus vícios e vírus, enquanto para os outros, nos expomos por serem ardilosos e falsos.

Diante dessas reflexões, parei e pensei, com quantos assintomáticos, eu tenho convivido ao longo da minha vida. Alguns, talvez, tenham me enganado, por outros me deixei enganar ou nem percebi as ameaças, e por muitos me deixei contaminar, adoecendo e manifestando os mesmos sintomas que eles tão bem souberam esconder, mentindo, fingindo e disfarçando.

Os assintomáticos são assim mesmo, eles têm e carregam em si a maldade, o disfarce e vão contaminando a muitos por onde passam, sem que as vítimas percebam que de bondade e de amor, eles não têm nada, absolutamente nada. Eles são piores que os doentes contagiosos que expõem os seus vírus, e não escondem as suas doenças.

Cuidado, meus amigos, muito cuidado, para não se deixar enganar por aquela carinha de santa, a humilde senhora que se passa por caridosa e serva de todos, porque ela pode estar doente e vir a contagiar a sua alma.

E jamais esqueça que o mau não tem cara de mau, pois quanto mais violento e cruel ele for mais falso e fingido ele se comporta. Ele não manifesta a sua violência, o seu ódio e o seu desejo de vingança, porque ele procura sempre alguém que o faça por ele.

Afinal de contas, ele não quer que ninguém saiba que ele seja um assintomático contumaz, quando se trata de vírus perigosos que podem até matar. Ele é bonzinho, quem faz o mal são os outros, e ele não tem culpa se outros fazem o que ele não tem coragem de fazer.

Quantos assintomáticos convivem conosco, no trabalho, na família e nos templos, portando vírus perigosos, enquanto sabotam a empresa, geram conflitos entre os parentes e são hipócritas enquanto oram.

Esses assintomáticos são os portadores dos karmas ocultos, que escondem seus sintomas ao mudar de nome, dizendo frases de efeito para que os julguem fiéis a Deus e pondo máscaras para esconder a maldade que expressam em suas feições.

Os assintomáticos são muitos, e pelo jeito, em muto maior número do que podíamos imaginar, antes que o informante COVID-19 viesse a se infiltrar nos corpos físicos. Não é um acaso, o vírus ter sido batizado com o número kármico 19, que simboliza a apropriação indébita, aquele que explora o trabalho alheio e se apossa dos créditos e lucros.

Gilberto Gonçalves