A essência invisível aos olhos

Fernando Pessoa, em sua linguagem poética nos diz “Navegar é preciso, viver não é preciso.

De fato,  a navegação é uma ciência que tem suas leis conhecidas e exatas, mas quando se trata da vida humana não é bem assim.

Já Antoine de Saint-Exupéry, no seu Livro O Pequeno Príncipe afirma: “O Essencial é invisível aos olhos e só pode ser percebido pelo coração”

Atribui-se a Jesus a Frase, “Onde está seu coração, ai esta seu tesouro”

Você concorda com estes Pensadores?

Melhor ainda, você compreende o que eles querem dizer?

Se a nossa natureza essencial é intangível, precisamos de formas visíveis e perceptíveis para comunicar nossos sentimentos e pensamentos para assim vivenciarmos uma experiencia física e sensorial.

Buscamos então a ideia perfeita, a palavra perfeita, e a forma perfeita, para expressar aquilo que contemos em nosso interior.

E na maioria das vezes fazemos isso inconscientemente.

Mas ao expressar algo, de certa maneira nos apegamos a sua forma, porque ela revela uma parte de nós que estava oculto a nossa própria consciência.

Mas nossa essência é  inagitável e nenhuma forma, por mais perfeita que seja, é capaz de captura-la completamente.

Repetimos então o mesmo gesto, a mesma forma de expressar, na esperança de repetir tal momento mágico,  e criamos assim, costumes e rituais.  Mas tudo que conseguimos é nos afastar cada vez mais da essência que transbordou de nossa alma em determinado momento.

Repetimos também a forma com que os outros expressaram suas ideias, que despertaram uma faísca em nossa alma, mas depois de um tempo notamos o frasco vazio, pois aqueles momentos mágicos não estão contidos naquelas palavras ou movimentos.

Agindo assim, vivemos uma vida vazia e artificial, repetindo palavras, costumes, e padrões que nos foram passados,  sem nunca alcançar sua essência, encanto e beleza.

Mas será que uma ideia ou sentimento só pode ser expressa por uma unica forma?  Será que a magia que procuramos está contida em algum frasco, ou precisa de palavras especiais para se manifestar?

A física quântica nos diz que todas as possibilidades estão disponíveis. Até que o observador faça a sua escolha.

Em outras palavras, a mente e o coração podem abrigar possibilidades infinitas que se multiplicam a si mesmas, até que o pensador faça uma escolha, tome uma decisão e inicie uma criação.

Neste momento ele precisa seguir uma linha continua e sequencial que parte da ideia para seu objetivo, como um arquiteto construindo sua obra.

Por isso que toda escolha é uma grande renuncia de todas as demais possibilidades.

Porque então ficamos presos e apegados a uma pequena parte de nós que se expressou em algum momento, vivendo uma vida saudosista quando podemos despertar a nossa alma a todo momento?

Jesus afirmou “Aquele que tentar salvar sua alma perde-la á, mas aquele que aceitar perde-la encontra-la á”

Porque então não deixamos que novas possibilidades de nosso ser se expressem em novas formas, novos costumes, e padrões e revelem a beleza interior?

Quem sabe assim possamos conhecer melhor todo o potencial de nossa natureza, que é ilimitada e grandiosa.

Estamos vivenciando um momento muito especial na historia da humanidade.

O lado maravilhoso deste momento é que a pandemia nos obrigou a parar tudo e suspender velhos hábitos e costumes.

Tivemos que reinventar novas formas de nos expressar e nos relacionar, criamos assim novos costumes e padrões. O novo normal.

Descobrimos então que podemos continuar a sentir e vivenciar as mesmas realidades internas através de formas diferentes.

E mais do que manter as velhas ideias, através destes novos formatos, descobrimos novas possibilidades nunca antes imaginadas por nós.

Muitas empresas e organizações também tiveram que se reinventar, e a maioria delas gostou tanto do resultado que decidiu mudar totalmente e adotar estas novas formas mesmo depois que isso tudo passar.

O que vai surgir a partir daí é um mundo mais leve, mais criativo e mais eficiente.

A essência das coisas ficou mais evidente.

E agora temos a chance de perceber que não eram as formas que nos encantavam, mas sim a essência que ela transmitia.

Não era o perfume ou embalagem do presente que despertava o amor, mas a mensagem que ele continha.

Não eram as belas palavras de uma prece que nos elevava, mas o sentimento que ela despertava em nossa alma.

Não era o ritual com todos os seus adornos e perfumes, mas aquilo que conseguíamos despertar através dele que elevava nossa alma.

Tanto assim, que agora sem eles, conseguimos despertar sentimentos belos e estamos mais leves.

Que mundo maravilhoso podemos viver se nos desapegarmos  das formas e olharmos para cada um de nós como seres iluminados, criativos e únicos, e para a natureza como mensageira do esprito.

Pois o espírito é como a brisa.  Tênue, intangível e perene.

Ele precisa das folhas para se fazer sentir…

Mas não devemos jamais perder a consciência de quem move a vida.

Haveju