Hemisférios-cerebrais

É impressioanante como a raiz de todo o conflito humano se resume a essa dualidade. Tudo o mais são matizes derivadas de múltiplas combinações.

Inteligência e sensibilidade
Firmeza e delicadeza

Análise e percepção

Concentração e expansão.
Disciplina e criatividade.
Ordem e liberdade.

Em resumo, masculino e feminino…

E não se trata aqui de homem ou mulher, porque ambos tem estas duas partes mais ou menos desenvolvidas.

A razão analisa sequencialmente os fatos comparando e medindo para obter certeza e compreensão.

A sensibilidade percebe através dos sentidos e não tem noção exata de onde vem as sensacoe que preenchem todo o ser e criam uma experiência sensorial.

A razão traz  o conhecimento enquanto a sensação traz a experiência.

Geralmente usamos mais um lado que o  outro e não conseguimos viver  as duas realidades opostas de forma integrada.

Iso acaba nos levando a fazer sempre uma escolha entre dois lados e assim estamos sempre fazendo julgamentos e dividindo a realidade em partes.

Estas escolhas se refletem em posições políticas, religiões, partidos, times, gostos, gênero e até opção sexual…

A causa disso é porque nestas horas preferimos sempre o caminho mais fácil de acordo com nossas preferências e limitações.

Com o tempo nos tornamos partidários, e esta divisão externa reflete a nossa divisão interna.

O religare da religião é na verdade a busca desta reunificacao do próprio indivíduo, que vive verdadeiros conflitos internos, espelhados no exterior.

Mas a unificação desejada não poderá ser encontrada enquanto não aprendermos a conciliar estas duas partes de nossa natureza para  vivenciar em harmonia o contraditório que nos ameaça.

Os egípcios representaram esta dualidade unificada  como um círculo com duas asas.

Os indus representam esta visão dual por um ponto pintado acima do nariz entre os dois olhos, como uma terceira visão.

Os Pitagóricos a expressaram como o vertice de um triangulo equilátero que une os dois extremos em uma posição superior a ambos.

Mas tudo isso são apenas símbolos pálidos da  realidade interna do ser humano.

Mente e coração unidos para compreender e sentir a vida em toda sua plenitude.

Mas ninguém como Jesus demonstrou como a lei e o amor podem conviver em perfeita harmonia.

O inimigo que ele recomendou perdoar nunca esteve fora de nós. A outra face não era apenas uma expressão física. O pão e o vinho são partes de nossa natureza fragmentada que almeja a plenitude…

Porque o oponente não é verdadeiramente o nosso inimigo, mas aquilo que irá nos lapidar e nos transformar.

São as forças contrárias que nos obrigam a sair da zona de conforto e buscar novas alternativas.

Mas o caminho do meio não é o meio do caminho.

A unidade aqui citada não seria uma fusão nem mesmo a redução do potencial das partes, muito pelo contrário.  É preciso potencializar o joio e o trigo para que então o ser compreenda sua natureza real e possa ver a vida do universo habitando dentro de si mesmo.

Em outras palavras, o racional deve buscar desenvolver a sensibilidade e passar a confiar nela, mas sem desprezar a inteligência. Enquanto os sensíveis devem desenvolver a análise e a logica, aprendendo pelo conhecimento a guiar seus sentimentos.

E então, o ser compreenderá a necessidade de se reconciliar com tudo e com todos e buscar a harmonia com todos os seres, pois a ilusão da separação o impedia de ver a unidade de todas as coisas…

22 de agosto de 2019

João Sérgio