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Forma, caminho e compromisso

Ao escolhermos uma determinada forma de fazer as coisas, estabelecemos um caminho que começa a se desdobrar.

Uma forma, um jeito, uma escolha, sempre nos conduz a um caminho, sempre nos leva por um curso.

É um desdobramento natural que começa a acontecer a partir de uma escolha e uma iniciativa. Por exemplo, quando escolhemos fazer determinada comida para o almoço, ela pede determinado tempero, que pede compras de certos produtos, que nos estimula a arrumar a mesa de determinada forma, que nos estimula a convidar alguém, que influencia a conversa…

Quando escolhemos nos relacionar com determinada pessoa, passamos a nos comportar de determinada forma, que desperta certas conversas, que trazem ideias, decisões, atitudes e transformações…

Assumimos de certa forma um compromisso com a forma ou caminho que escolhemos e os próximos passos são imprevisíveis e serão uma sucessão de acontecimentos decorrente do primeiro , que levará ao segundo e assim por diante formando um novo caminho.

Uma ideia e um sentimento são visões de um objetivo ou desejo que ainda não conhece seu caminho para a realização. Por isso traz medo, ansiedade, incertezas e tantos outros sentimentos.

Só depois que você escolhe e começa uma ação é que o caminho começa a se construir.

E aí então começam a surgir os problemas e as necessidades que demandam uma resposta e uma solução para continuar o caminho.

É preciso estar engajado com o caminho que se escolheu, ter compromisso com ele para continuar avançando.

Mas se pudéssemos enxergar todo o caminho a ser percorrido para alcançar tal desejo ou objeto tudo se acalmaria em nossos corações.

Mas como isso é possível se ainda não percorremos este caminho?

Nossa mente é ainda uma mata virgem e precisamos ir abrindo os caminhos na mata, correndo risco de errar e ficar perdido …

Mas os mestres são aqueles que já percorreram o caminho e sabem como chegar. Eles sabem que não podem fazer o caminho por nós porque ele deve ser construidos dentro de cada um. Mas eles podem nos ajudar  com pistas e alertas.

Para perceber as pequenas pistas é preciso ficar atento aos sensores, ou seja, ter sensibilidade. Caminhando, fazendo escolhas, construindo os caminhos dos labirintos e sempre consultando os sensores para fazer melhores escolhas…

Toda forma é limitadora, tem suas próprias regras, suas próprias leis e seu próprio caminho.

A linguagem ou o caminho que escolhemos nos leva a uma sintonia e uma forma de lidar e compreender as coisas.

Então ficamos de certa forma aprisionados nele e vemos as coisas segundo estes padrões. Corremos o risco de acreditar que este é o unico caminho, e a  unica verdade.

Se escolhemos uma religião, moldamos nossa visão da espiritualidade segundo seus padrões, se escolhemos uma profissão, moldamos nossos comportamentos segundo estes padrões.

Se mudamos para determinado local, mudamos nossos padrões segundo os costumes vigentes.

E assim vivemos o mundo que nossas pequenas escolhas nos levaram e desligamos outros mundos. Embora os ainda vejamos, não podemos vivencia-los em nossos corações…

Por isso, segundo a antiga tradicao Hebraica o nome de Deus é impronunciável, indescritível e incompreensível. Porque sendo o todo e ilimitado ele não caberia em nenhuma forma e em nenhum caminho específico.

Ao escolher uma forma, um nome e uma personalidade para Deus, nós o limitamos, lhe atribuímos características, valores e Personalidade, e o tornamos a nossa semelhança.

Por isso nós dizemos “meu Deus” !

Este é meu Deus, aquele que eu concebi. Este  é meu caminho, aquele que eu construí com meus passos.

Minhas escolhas sou eu.

Eu sou o caminho…

João Sérgio