O “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry é uma das joias da literatura destinadas a crianças (grandes).

Como não temos espaço para explanar longamente a estória, vamos simplificar seus pontos essenciais:

1. Um menino se impressionou com a ilustração de uma cobra “boa” engolindo um animal. Faz o desenho de uma cobra estufada pela forma de um elefante que engolira.

Mostra-os aos “adultos” e eles o interpretam como um chapéu. Ele se entristece e faz outro desenho em “raio x”, mostrando o elefante de pé, dentro da cobra.

Aí os adultos o dissuadem de desenhar e aconselham-no a estudar as coisas humanas para ser “pessoa sensata”.

2. O menino se torna moço e aviador. Um dia, como piloto de prova, seu avião sofre uma “pane” e é obrigado a fazer um pouso de emergência no deserto de Saara.

3. Está tentando reparar o defeito do motor quando lhe aparece, em meio à solidão do deserto, um menino trajado de príncipe, com uma espada na mão, a pedir que lhe faça um desenho de ovelha.

Ele faz um e o menino rejeita porque lhe parece uma ovelha triste; faz outro e também recusa porque parece velha; faz outra, mas ele alega que é muito grande para seu pequeno país; então desenha uma caixa furada e diz que a ovelha está lá dentro. O menino fica satisfeito.

4. O menino se preocupa com a possibilidade da ovelha comer a única flor que ele tem em seu asteroide. O aviador, impaciente, retrucava-lhe que isto não tem importância. O menino fica triste e desaparece. Ele fica desesperado e se põe a procurá-lo. Quando está outra vez a consertar o avião, o menino reaparece e ele se desculpa e busca soluções para o asteroide.

5. Conversavam à noite. O menino começa a relatar sua vida no asteroide, onde ele vivia só, com seus três vulcões (um extinto e dois que ele limpava sempre); seus baobás (plantas que podiam crescer e ele tinha de cortar, para que não tomassem conta do asteroide) e a rosa que florescera.

Com a rosa aprendera como era ignorante. Saiu, pois, de seu asteroide para aprender alguma coisa do Universo que o tornasse capaz de melhor dirigir seu asteroide.

6. Levado pelas aves pousa em sete planetas:

O Planeta do Rei que estava triste porque não tinha sobre quem reinar

O Planeta do vaidoso megalomaníaco

O Planeta do bebedor que fugia de si mesmo

O Planeta do negociante preocupado com seus lucros

O Planeta do homem que acendia os lampiões

O Planeta do geógrafo

O Planeta Terra

7. Na Terra conheceu em primeiro lugar a serpente, cuja picada tinha o condão de levar a alma aos céus.

Depois conheceu um jardim cheio de rosas e finalmente uma raposa arisca, a quem domesticou e do qual se tornou amigo.

8. Neste ponto da narrativa acaba a água do aviador e ele fica transtornado. O menino disse que há um poço. O aviador receia perder-se no deserto e o menino vai à frente, guiando-o com segurança até as águas. Bebem muita água, a ponto de ela ficar chocalhando na barriga. Voltam ao avião e, finalmente, o aviador consegue por o avião em funcionamento.

9. O menino se afasta e ao procurá-lo, o aviador o encontra dependurado em um muro, onde havia uma serpente, que tinha lhe picado. Chora de tristeza e o leva ao avião. Conversam um pouco, o menino se despede, dizendo que ele não fique triste, porque continuará ouvindo seu riso, não apenas de seu asteroide, mas de todas as estrelas do céu.

Vão dormir. O menino desaparece.

O aviador o procura em vão, pelo deserto. É noite. Das estrelas chegam o riso do pequeno príncipe. O aviador decola e vai ao encontro do céu.

Os simbolismos:

1. O aviador representa uma pessoa pura e elevada, que busca algo essencial como a razão da vida.

A serpente é símbolo de sabedoria.

A figura do elefante dentro da cobra é a imensidão que existe escondida na sabedoria do mundo e do ser.

Mas ninguém enxerga. Todos veem apenas a aparência, a superfície. Assim a sociedade abafa os anseios puros de uma criança elevada.

2. Essa pessoa cresce insatisfeita com a superficialidade do mundo e vai buscar coisas elevadas (voar). Em uma de suas investigações mais sérias, não encontrando solução externa, entra em crise. Permanece em solidão (deserto) buscando uma solução interna (procura consertar a pane). Mas a solução não está na Mente racional.

3. Ele clama e tem a inspiração interna que lhe corrige os conceitos condicionadores de que a criatura deva ser uma pessoa triste ou pensar em idade (porque o espírito é eterno) ou ter ideias de grandeza.

Isso leva-o a compreender as coisas essenciais, além das aparências, que ele mesmo via em criança (a ovelha dentro da caixa).

4. Mas a tendência de continuar buscando uma solução racional continua, sem dar a devida importância aos lampejos internos (pequeno príncipe), e, por não dar interesse maior a eles, perde contato com o seu íntimo, que deseja preservar as faculdades nascentes (a rosa desabrochada).

Depois cai em si e retorna à busca do da inspiração interna e a reencontra quando está em quietude nos seus esforços de elevação (consertando o avião). Dedica mais interesse, então, a sua natureza mais sutil.

5. Conversar à noite com o menino significa a comunhão interna, para conhecimento de si.

O asteroide em que o “pequeno príncipe” mora é nosso corpo. Os três vulcões representam três veículos que (o Corpo físico, o Corpo de Desejos e a Mente). Um deles já estava purificado (Denso eterificado) e permitiu o voo.

Os baobás são os vícios que podem crescer pelo hábito e escravizar-nos, devendo ser cortados pela raiz.

A rosa é o florescimento das faculdades internas latentes. No início de nossa evolução espiritual é que tomamos consciência de nossa ignorância. “Não saber que nada sabemos” é ignorância: “saber que nada sabemos” é o começo da sabedoria. É o ponto inicial da Busca.

6. Levados pela intuição e pelos pequeninos “eus” nobres que formamos em nós (os pássaros), vamos tomar consciência de nosso íntimo (sete indica uma série). Aí chegamos à triste constatação do quanto ainda somos sedentos de poder (rei); escravos da vaidade (vaidoso); escapista (bebedor que fugia de sua própria realidade); apegados à segurança e sedução dos bens (negociante); dominados pelos fatores terrenos de tempo e espaço, que nos aumenta cada vez mais o ritmo febricitante das atividades e desenvolve a impaciência (homem do lampião); o quanto estamos condicionados pelos conceitos humanos da realidade do ser (geógrafo) e, finalmente resolvemos conhecer nossa parte humana (Terra) que deve ser transmutada.

7. Só, então, nos advém a sabedoria (serpente) e a prudência (raposa) que nos ensinam a lidar com a natureza humana e transformá-la. Neste ponto veremos emcada semelhante o mesmo ser espiritual e a humanidade como um imenso jardim de rosas. Oportuno lembrar a carta de despedida da raposa: “O essencial é invisível para os olhos. Não se vê bem, a não ser com o coração”.

8. Assim preparado, o Ser pode ser guiado pelo íntimo (pequeno príncipe) a fonte de água viva do Cristo interno. Acaba-se a água do conhecimento humano e passamos a nos dessedentar daquela água que Cristo prometeu à Samaritana. Aí restauramos os recursos para voar, agora em melhores condições (o avião consertado).

9. Elevando-nos internamente (menino que se dependura no muro) chegamos ao despertar espiritual para esferas mais altas. É o picar da serpente, ou seja, a consciencia espinhal que se eleva aos centros superiores da cabeça.

Aí nos elevamos a outros planos e passamos a ver a essência da vida em tudo e em todos, vendo beleza e alegria em todas as situações da vida. (decolar com o avião e escutar o riso do “pequeno príncipe” em cada estrela).

Adaptação ao texto Publicado na Revista Serviço Rosacruz.

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