Nos ligamos fortemente as pessoas, coisas e aos fatos, porque de alguma forma nos identificamos com eles, que assim se tornam portadores de algo nosso. E o que acontecer com eles nos afetarão emocionalmente, produzindo alegria ou sofrimento.

Na maior parte das vezes não temos consciência disso, porque precisamos de alguma forma refletir o que está dentro de nós mesmos através das coisas da vida.

Quando escolhemos alguma coisa na verdade estamos depositando nela uma parte de nós. Quando tomamos partido em uma situação, é nossa crença e valor que está sendo manifestada naquela posição ou decisão tomada. Por isso se defendemos uma ideia e ela é questionada ou menosprezada nos sentimos diretamente ofendidos. Muitas pessoas se sentem feridas nas discussões e relacionamentos, muito mais porque seus valores estão sendo desprezados e reagem violentamente como se eles mesmos tivessem sendo agredidos.

Quando Hermes Trimegistos afirmou que o que está em cima é igual ao que está em baixo, talvez ele se referia a esta relação entre o que está dentro e o que está fora do ser humano.

E quando no Apocalise em 3.7 João afirma ” Eu te darei a chave do Reino de Davi. O que ligares na terra será ligado nos céus” também podemos reconhecer uma ligação entre a natureza interna do homem (céus) e sua natureza externa ( terra).

É muito difícil se desapegar destes elementos externos e reconhecer que as coisas não tem valor por si mesmo e que temos vivido um mundo projetado pelo nosso inconsciente.

Nem mesmo as coisas mais significativas e valorosas para a sociedade representam um valor absoluto, mas sim uma relação de valor que foi atribuída por alguém e aceita pela maioria.

Uma cédula ou moeda tem um valor que lhe foi atribuído. Mesmo metais preciosos ou joias são apenas portadores de valores atribuídos pelas suas características físicas de maior estabilidade ou química.

Os objetos que possuímos ou mantemos carregam consigo a lembrança de um momento vivido e nele depositamos nossas memorias e emoções. Eles tem o poder de nos trazer de volta tais memorias como se fossem ancoras capazes de puxar de volta tais sentimentos e nos permitir revive-los.

Ai de quem toque ou danifique tais objetos ! Estará nos ferindo e ofendendo profundamente.

Assim também é a maioria dos relacionamentos. Ficamos encantados pela forma como nos comportamos diante de determinadas pessoas e queremos repetir constantemente tal sensação ou emoção. Mas na maioria das vezes estamos encantados com o nosso próprio eu que revelamos, sem nos dar conta disso.

Se pudermos nos desligar por alguns minutos e observar as coisas com pureza e serenidade, ou seja, sem lhes atribuir qualquer valor, talvez nossa alma se encha de encanto e possa de fato perceber a harmonia das coisas e a grandiosidade do universo e acima de tudo compreender a beleza e o significado da vida.

Somente assim seremos capazes de praticar a ausência de julgamento que permitirá perceber os significados simbólicos das expressões humanas e captar a beleza de suas almas.

Isso é Luz, porque ilumina a escuridão dos sentidos e nos liberta da ilusão.

Isso é pureza porque limpa todos os valores que temos atribuído as coisas, pessoas e fatos.

Isso é espirito porque nos permite acessar a essência das coisas e de fato perceber a nossa Alma.

Despertar a consciência deste fato é muito difícil e doloroso, e mesmo este despertar não nos liberta totalmente do apego a estes valores simbólicos, porque não conhecemos outro modo de encontrar nossa alma.

Mas talvez seja justamente este desapego que nos permita encontra-la conforme afirmou Jesus ao dizer: “Quem quiser salvar sua alma perde-la-á , mas quem aceitar perde-la encontra-la-á”

“E Se alguém deseja seguir-me, largue tudo que possui, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me acompanhe.

Parece dizer que só o vazio do nada nos permite ser preenchido pelo espírito. E Paulo afirmou: ” Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se eu não tiver amor nada serei.” E diante deste nada ele afirmou “Não sou mais eu quem vive, É o Cristo que Vive em mim”

É curioso como as coisas naquele tempo eram ditas com dois sentidos, que embora aparentemente paradoxais ensinavam duas verdades, quando separadas do contexto. Sem amor espiritual e verdadeiro não podemos enxergar a beleza da vida e somos vazios, mas quando cheios do amor próprio e egoísta somos carregados de valores que nos entorpecem a visão.

O vazio a que se refere Jesus é um estado de pureza que permite amar verdadeiramente as pessoas sem qualquer julgamento, aceitando-as do jeito que são sem se sentir ofendido pelas suas fraquezas, é perceber o universo em toda sua grandeza sem desejar interferir em seus desígnios e seguir suas inspirações, permitindo que a vida infinita nos preencha.

Preencha os formulário para receber novas mensagens.

Curso de Numerologia (2)