Mas afinal, que diferença faz, se vemos a velha ou a Princesa, ou mesmo um príncipe, se sabemos que são parte da mesma realdade unica.  O que importa mesmo é sabermos que estamos vivendo um tempo de profundas transformações dos valores e dos limites impostos por nossas crenças e medos e aceitando conviver com o contraditório.

A essência das pessoas não tem cor, raça, sexo religião ou qualquer padrão que tentemos impor, porque as limitações são transitórias.  Vivemos por milênios acreditando que algumas pessoas são de um jeito e outras são de outro jeito diferente, e que isso seria imutável e natural.  Que umas são superiores as outras, que algumas estão com seu lugar garantido na eternidade e outras estão condenadas ao fogo eterno.

A revolução sexual está nos mostrando muito mais do que pode parecer ao incauto. Na verdade estes verdadeiros desbravadores estão nos mostrando que somos uma mente vivenciando uma experiencia em um corpo e que nossa alma vai muito alem do que as limitações das situações nos impõe.

É um tempo difícil de transição em que todos estamos sendo levados a rever nossos conceitos e compreender finalmente que nossa essência não pode ser limitada pelas circunstancias. Somos seres que vivenciam experiencias, e de alguma forma estamos comprometidos com estas experiencias, mas não somos a experiencia. Somos o agente humano que vivencia, realiza e aprende.

Não apenas a questão sexual está sendo questionada, mas toda forma de conceito fixo, que a sociedade chama de pre-conceito. Porque eu preciso ser flamengo ou fluminense, preto branco ou amarelo, evangélico ou espirita, brasileiro ou americano….

Eu posso vivenciar estas experiencias e me comprometer com elas, mas posso ser livre, pois afinal não sou as minhas escolhas ou características impostas pela natureza. Não sou um rótulo, pois minha Alma é livre e está descolada do meu corpo e de minhas ações, embora esteja profundamente enraizada neles…

Quando tivermos compreendido isso, não existirão mais criminosos, corruptos, bandidos, santos, pecadores, ricos, pobres, favelados, milionários, e qualquer outro tipo de forma fixa.  As pessoas cometem crimes, cometem erros,  acertam, ou escolhem seguir um caminho ou outro, mas são mais do que isso pois não são uma maquina programada para ser deste ou daquele jeito.

Não deixaremos de condenar um criminoso a sentença máxima ou reagir a uma injustiça ou mesmo lutar contra aqueles que cometem erros e nos agridem.  Mas faremos isso sabendo que estamos diante de um Ser humano, que está tendo um comportamento inadequado para sua condição humana e que talvez um dia venha a despertar para a realidade da vida Infinita. E não mais nos ofenderemos com as diferentes escolhas das pessoas ou de suas características diferentes das nossas porque enxergaremos finalmente por traz das aparências.

Então compreenderemos o verdadeiro sentido das Palavras de Jesus, quando recomendava tratar o outro exatamente como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar dele.