As faiscas de inspirações incendeiam a mente e o coração dissolvendo convicções e estimulando as transformações. A lei de Lavoisier afirma que nada se perde e nada se cria, tudo se transforma.

Inspirado na parábola da Vela e o fósforo.

Dizem que certo dia, um palito de  fósforo disse à vela

– “Vela, tenho a missão de acender-te.”

– “Oh, não” – respondeu, assustada, a vela. – “Se me acenderes, meus dias estarão contados. Jamais ninguém poderá ver a beleza da minha forma e da minha cor…Que será de mim?”

O fósforo, então, confuso com a resposta, perguntou à apavorada vela:

– “É isso o que desejas? Queres permanecer o resto de tua vida fria, dura e sem ser acesa?”

– “Mas ser acesa? Arder? Isso dói e consome minha força,” – murmurou a vela, lamentando-se, cheia de medo.

– “Tens razão,” respondeu o fósforo. – “Mas esse é o mistério de tua vida e de tua nobre missão. Tu e eu fomos criados para ser luz. O que posso fazer, como fósforo, é muito pouco. Mas, ao passar meu fogo para ti, cumpro o sentido de minha vida. Fizeram-me exatamente para isso: acender o fogo. Tu, por sua vez, és vela. Tua missão é irradiar luz. Enquanto te consomes, tua dor e tua energia se transformarão em luz e calor, e, por isso, necessitamos de ti e não iremos, jamais, esquecer-te. Outras velas levarão adiante a luz, mas se tu recusares, morrerás e serás esquecida.”

A vela, nesse instante da conversa, abriu os olhos amplamente e, apontando firmemente para o seu pavio, disse ao fósforo, ainda que tremendo:

– “Por favor, acende-me!

A faisca é efêmera, curta e intensa, assim como as idéias que produzem impulsos e iniciativas. Nascem dos atritos e conflitos e da luta pela libertacao, produzindo curtos lampejos de percepcao. Representam a criatividade que se não for sustentada pela experiência apaga-se sem deixar grandes marcas.

A vela representa o processo gradual que dissolve aos poucos as dificuldades dando nova vida a centelha que a iluminou. A nova chama encontra-se com algo já cristalizado, que ao derreter-se produz uma nova visão da realidade.

Com a experiencia o solavanco dos ventos se torna brisa fluente de inspiracoes, alimentando a chama que se estabiliza na permanente liquefacao da parafina e a transformação se torna uma constante.

Mas antes é preciso curvar um pouco o pavio e ficar quietinho por um tempo e deixar a chama se aproximar e queimar seu  tecido. Em seguida é preciso aderir à esta chama.

Uma vez acesa a vela, a chama ganha vida e passa a nos pertencer. Então podemos também nos tornar Inspiração para aos outros, quando nossa chama se estabiliza.

Assim,  a mente deve buscar na reflexao e na prece a chama que inspira a decisão, e na firmeza dos passos a construção da obra recebida pela inspiração.

A mais sabia das preces é aquela que clama por orientação e inspiração curvando-se para recebe-la, mas em seguida o melhor a fazer é dar vida a estas inspiracoes através da realizacao prática, fazendo-se merecedor da graça recebida.

Assim é o fogo das paixões e dos relacionamentos, chamas espalhadas ao vendo que quando atingem uma mente fértil as incendeiam e se propagam ganhando vida longa e produzindo profundas transformações. Aquele que quiser manter sua vela perdê-la à,  e aquele que aceitar derrete-la, encontrá-la à.

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