Somos pequenas partículas carregadas de valores únicos do Universo, ou como disse Reich:  “Somos abelhas do invisível loucamente levando o mel do invisível para o visível.”

Nossas particularidades fazem a diversidade, e a vida se completa pelos relacionamentos entre os diferentes que se atraem pelo que o outro tem que nos falta.

Cada um de nos é um ponto único de uma matriz de combinações infinitas, e faz estas separações de forma diferente criando um mundo particular e uma visão única do universo.

No tabuleiro do jogo da vida vemos pedras pretas e pedras brancas, como se fosse possível separar a unidade.

Quando colocamos um alimento na boca, nossas papilas degustativas separam o doce do amargo, o azedo do salgado… e sentimos a diversidade do paladar.

Nossos olhos separam a luz em espectro de cores e vemos o vermelho, o amarelo, o verde, o azul…e a realidade se mostra em uma diversidade de cores e formas.

Nossos ouvidos separam as vibrações e ouvimos o agudo, o grave o médio… e criamos uma diversidade de sons e melodias.

Então nossa mente atribui valores para cada uma destas experiências, medindo, pesando e armazenando para não perde-las.

Mas onde Guarda-las se só existem dois compartimentos, o da esquerda e o da direita?

Como computadores, operamos com a linguagem binária de “zero ou um”, mas a consciência pertence a dimensão do ilimitado.

Então somos levados a separar e qualificar as experiencias em boas boas ou más, fortes ou fracas, altos ou baixos, cheirosos ou fedorentos, bonitos ou feios, gostosos ou ruins, agradáveis ou desagradáveis, dentro ou fora, amigo ou inimigo…, e assim por diante, criando mundos que se contrapõem.

Observamos o mundo do nosso privilegiado e único ponto de vista e desejamos compartilhar nossos valores com os demais para conquistar parte de suas visões também únicas, e assim nos completar em busca da unidade perdida.

Temos moedas valiosas que precisam ser utilizadas para participar deste jogo de trocas infinitas, e teremos maior sucesso se compreendermos a lei do equilíbrio que rege todo o universo.

Mas a força que destrói é a mesma que cria, o que separa é o que une, o que gera a cobiça e inveja também gira a roda do progresso. Mas é o fracionamento que desperta o desejo da Integridade.

Mas já conseguimos ver os dois lados, dentro e fora de nós se digladiando para vencer uma luta inexistente.  Resta-nos unifica-los.

Buscamos ao mesmo tempo esta imparidade que nos separa e a unidade que nos reconcilia.

Enquanto criamos nosso próprio mel, com cheiro, textura, cor e sabor diferenciados, queremos provar o mel das outras abelhas, pois temos ao mesmo tempo dentro de nós a natureza da abelha e da colmeia.

João Sérgio

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