Já passou pela sua mente que talvez a gente não exista de fato da forma como nos imaginamos?  Que a maior parte do que somos é o fruto de nossas memorias?

A vida só existe porque de alguma forma a natureza encontrou um jeito de armazenar seus aprendizados e experiencias no relacionamento com o meio e assim reproduzir-se e passar adiante estas novas condições adquiridas.

Esta é a característica fundamental que diferencia um ser vivo de uma matéria inanimada. Desde as mais simples células até os mais complexos sistemas vivos, todos existem porque tem memoria. E quanto maior a capacidade de armazenamento maior a complexidade.  O Fato de armazenar uma experiencia permite que ela seja repetida e consequentemente melhorada gerando o que chamamos de aprendizado e evolução.

Agora olhemos do ponto de vista de nossa Psique. O que somos afinal senão estas memorias? Imagine se não tivéssemos esta capacidade de armazenar as experiencias e sensações que elas representam, como seria nossa vida?  Teríamos que criar o tempo todo um mundo novo e viveríamos todas as diversas possibilidades para uma determinada situação de forma aleatória e não teríamos forma ou identidade definida, entende ?

O Simples fato de lembrar de algo que fizemos e saber os resultados e impressões que nos causaram, sejam agradáveis ou não, nos dão uma referencia em relação ao objeto ou a experiencia vivenciada. Podemos gostar, não gostar, odiar, amar, desprezar etc.  Mas é justamente esta lembrança de nossa observação e impressão sobre um fato ou experiencia que nos dá nossa identidade.  São estes pequenos fragmentos de experiencia acumulados que chamamos de Personalidade, aquilo do qual nos orgulhamos ou odiamos, mas que nos acompanha, nos identifica e nos diferencia dos demais.

Existem casos de pessoas que perderam a comunicação do cérebro com a memoria mais profunda e a sua vida resume-se a cerca de 10 segundos de consciência, que é a capacidade de armazenamento do lóbulo frontal. Se você falar alguma coisa para ela e contar a até 10, ela não lembrará de mais nada, e nem de quem você é.

Somos o que fomos no passado, porque os 10 segundos de existência do presente ainda estão sendo construídos e o futuro ainda não existe. A própria noção de tempo está relacionada com esta experiencia de memoria chamada consciência.

Quando acordamos de manhã cedo, nos lembramos de quem fomos ontem. Então dizemos “Eu sou Assim”, e continuamos a agir da mesma forma porque precisamos saber quem somos.  E qualquer mudança brusca nos abala. Qualquer situação para a qual não tenhamos resposta nos traz uma imensa insegurança porque perdemos nossa referencia pessoal.  Então criamos hábitos e padrões de comportamento, regras e costumes que formam não apenas a nossa identidade mas também a identidade do grupo que fazemos parte e de toda a sociedade, porque  para delimitarmos bem quem somos precisamos da adesão de outros para solidificar nossas crenças e valores.

Então, olhando a vida do ponto de vista cósmico, fora da esfera da consciência pessoal, podemos dizer que a vida é uma ilusão causada pela memoria.  A consciência que temos de nós mesmos e do mundo é  fruto desta memória.

É como se todos fôssemos sonâmbulos, vivendo no piloto automático. Aqueles que acordam deste sono passam a viver conscientes de cada segundo, vivendo o que chamamos autoconsciência. Retiram as máscaras e encontram a si mesmos com suas virtudes e limitações. É como se uma luz iluminasse o caminho por onde passam, semelhante aos holofotes no palco escuro que acompanham os artistas.  Talvez seja Por isso que  eles são chamados de “Iluminados”.

 

Texto Publicado no Blog    escoladopensamento.org.br


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