“Somos os nossos Relacionamentos”, porque é através de nossas experiências com pessoas e objetos que nos reconhecemos.

No Livro “O Ser Quântico”, Donah Zohar nos fala desta eterna busca da consciência para compreender a si mesma.

Tudo no universo clama pela unidade e reintegração. A carne adere ao esqueleto, os órgãos aderem ao corpo e a alma adere à personalidade, mas se identifica com ela de tal forma que perde a si mesma como um artista no palco.

Mas o fluxo e refluxo do tempo nos  levam  a  vivenciar novas experiencias a cada momento.  Então nos agarramos ao que podemos para não perder nada que consideramos importante, pois o presente dura apenas cerca de 10 segundos de consciência,  que é o tempo que a parte consciente do nosso cérebro consegue armazenar. A partir daí tudo se torna passado, levado pela corrente do rio do tempo.

Na busca de quem somos precisamos reunir nossos fragmentos perdidos nas “diversas vidas” e experiências vividas pelas nossas almas.  Durante o dia acoitamos em nossa mente tudo que podemos reunir,  e  no  repouso da noite “ruminamos” as ideias vivenciadas, que se multiplicam e se desenvolvem em beneficio de nossa maior compreensão do que somos, quando então nos vemos refletidos em nossos próprios pensamentos,  fazendo uma revisão de tudo que  vivenciamos.

A noite sucede o dia,  a escuridão e o sono acalmam e restauram as energias, restabelecendo o equilíbrio emocional. Entre as experiências de um dia e o silencio da noite restam as memorias do dia que se foi e também do que fomos. O sono pode ser longo e profundo, restaurador e magico,  nos transformando em um novo ser.

O sono nos leva de volta ao mundo das ideias perfeitas e livres, sem compromisso de concretizar-se. Um desdobrar de magia e fantasias onde tudo é possível. Então a mente resgata sua liberdade criativa e se sente revigorada para realizar no plano das ideias tudo que anseia e se sente novamente a criança que sonha e viaja por mundos imaginários do faz de conta que não precisam existir para trazer alegria e felicidade.

A criança então renasce e o velho morre, para novamente no dia seguinte o velho ser revigorado pela criança. Voltamos assim a ser crianças e penetramos no reino dos céus. E se a noite for mais longa? E se os sonhos durarem algumas dezenas ou centenas de anos? Porque chamamos de morte se sabemos que um novo dia virá e o velho se tornará novo, revigorado pelas energias dos sonhos da criança?

Na linguagem simbólica da mente podemos deitar no divã do nosso psicanalista interno e nos reencontrarmos, desnudados dos compromissos e obrigatoriedades da vida pratica, logica e concreta.

A vida nos convida a sonhar acordados e desenvolver o mental abstrato libertando nossas mentes das ligas que nos prendem ao concreto, lembrando o primeiro principio Hermético que diz que o Universo é Mente.

Somos os nossos relacionamentos porque é através deles que nos vemos e nos reconhecemos como se fossem pequeninos pedacinhos de espelhos. E para nos encontrarmos precisamos dos outros que carregam em suas memorias parte do que somos. E se o sono for mais longo, a nova vida precisará reunir novamente todos estes fragmentos de memórias deixados pelo velho eu para se reconstruir novamente.

Cada vez que nos relacionamos, seja com objetos ou com outros “eus”, fazemos uma troca, deixando nossa marca e um pedaço de nós mesmos, e recebendo do outro aquela parte que nos falta.

Então, como animais que demarcam instintivamente os terrenos, rotulamos este relacionamento como “meu” na busca de preservar nossa descoberta desta pequena fração do nosso eu,  aprisionando estas coisas  coisas e pessoas na tentativa de preservar-nos.

Mas com o tempo percebemos que quanto mais nos relacionamos mais nos multiplicamos e nos reconhecemos. Então, compreendemos que só encontraremos a alegria de nos “religarmos” quando nos desapegamos destes pequenos “eus” , passando a distribuir o que somos por todo o universo através de relacionamentos frutíferos e equilibrados.

“Crescei e multiplicai-vos”

Contribuindo com as experiências dos demais “eus” reunimos os nossos próprios fragmentos e a nossa Unidade Cósmica, encontrando o nossa verdadeira felicidade.

Inspirado no Livro “O Ser Quântico”, Donah Zohar