Na ultima palestra sobre Simbologia no dia 12 de Setembro,  o nosso Conselheiro Rafael Wainstock nos trouxe entre outros símbolos importantes, o mito de Pandora.


O Mito representa a figura de uma mulher bonita e seminua que porta uma caixa com uma tampa. Esta mulher foi enviada Pelos Deuses aos homens como castigo para gerar conflitos e acabar sua paz.

Prometeu, deus cujo nome em grego significa “aquele que vê o futuro”, doou aos homens o fogo e as técnicas para acendê-lo e mantê-lo. Zeus, o soberano dos deuses, se enfureceu com esse ato, porque o segredo do fogo deveria ser mantido entre os deuses. Por isso, ordenou a Hefesto que criasse uma mulher que fosse perfeita, e que a apresentasse à assembleia dos deuses. Atena, a deusa da sabedoria e da guerra, vestiu essa mulher com uma roupa branquíssima e adornou-­lhe a cabeça com uma guirlanda de flores, montada sobre uma coroa de ouro. Hefesto a conduziu pessoalmente aos deuses, e todos ficaram admirados; cada um lhe deu um dom particular:

Atena lhe ensinou as artes que convêm ao seu sexo, como a arte de tecer;
Afrodite lhe deu o encanto, que despertaria o desejo dos homens;
As Cárites, deusas da beleza, e a deusa da persuasão ornaram seu pescoço com colares de ouro;
Hermes, o mensageiro dos deuses, lhe concedeu a capacidade de falar, juntamente com a arte de seduzir os corações por meio de discursos insinuantes.

Depois que todos os deuses lhe deram seus presentes, ela recebeu o nome de Pandora, que em grego quer dizer “todos os dons”.

Finalmente, Zeus lhe entregou uma caixa bem fechada, e ordenou que ela a levasse como presente a Prometeu. Entretanto, ele não quis receber nem Pandora, nem a caixa, e recomendou a seu irmão, Epimeteu, que também não aceitasse nada vindo de Zeus. Epimeteu, cujo nome significa “aquele que reflete tarde demais”, ficou encantado com a beleza de Pandora e a tomou como esposa.

A caixa de Pandora foi então aberta e de lá escaparam a Senilidade, a Insanidade, a Doença, a Inveja, a Paixão, o Vício, a Praga, a Fome e todos os outros males, que se espalharam pelo mundo e tomaram miserável a existência dos homens a partir de então. Epimeteu tentou fechá-la, mas só restou dentro a Esperança, uma criatura alada que estava preste a voar, mas que ficou aprisionada na caixa e é graças a ela que os homens conseguem enfrentar todos os males e não desistem de viver.
Este mito significa a atitude do aprendiz que busca desvendar-se e abre a caixa de pandora, ou seja, penetra no seu próprio universo interior em busca de conhecimento e esclarecimentos espirituais. Mas ao penetrar neste universo ele liberta seus males aprisionados e contidos pelo controle e pela disciplina das regras sociais, ele se vê frente a frente com seus desejos e medos mais íntimos, como se revolvesse a lama na fundo de um lago.

É de se esperar que antes de seguir em frente na jornada espiritual o aprendiz tenha que resolver questões que ficaram pendentes. O conhece-te a ti mesmo tem um primeiro passo de purificação e trabalho para eliminar vaidades, medos, mentiras,  e toda sorte de impurezas escondidas de sua própria mente consciente.

Este processo é chamado pela psicologia de espelhamento,  onde o inconsciente projeta-se no mundo e cria mascaras para lidar com a realidade. A maioria das pessoas vivem através de personagens criados para lidar com a realidade, como se estivessem com as vendas tampadas. Projetamos nos outros e nas coisas  aquilo que temos dentro de nós, nossas crenças, medos expectativas e a nossa maneira particular de ver o mundo.

O problema é que acreditamos verdadeiramente que os outros nos compreendem e pensam como nós, e esperamos que eles correspondam as nossas expectativas, de tal modo que não nos preocupamos em expor cuidadosamente nossa forma de ver as coisas e nos surpreendemos quando eles nos decepcionam. 

Neste caso, abrir a caixa de Pandora pode ser penetrar neste inconsciente oculto ao próprio homem e revelar seus mistérios, que podem trazer revelações muito difíceis de lidar.  Precisamos ter cuidado ao abrir a caixa e não deixar sair de lá todas as mazelas de uma só vez pois talvez não tenhamos condições psicológicas para lidar com isso.

Porque vemos e sentimos o mundo de uma forma particular,  temos a tendência a acreditar que os outros veem e sentem como nós e esperar que eles compreendam nossa forma de ser e sentir.

Talvez aí esteja a essência e a causa dos conflitos resultantes nos relacionamentos e porque as pessoas esperam ser compreendidas e atendidas em suas necessidades, mas tem dificuldades de se colocar no lugar do outro e compreender suas necessidades, porque ele vê e sente o universo com sua forma particular.

Diz um proverbio que para conhecer alguém verdadeiramente é preciso calçar suas sandálias vestir suas roupas e andar pelos caminhos que ele andou.

Como compreender o outro se você vê e sente o mundo de forma única e particular?

Para um homem, por exemplo, cortar o cabelo é uma coisa simples e não tem nada de especial nisso. Mas para uma mulher isto é um ritual de grande significado com grande investimento que espera um retorno, um elogio, um reconhecimento dos demais.

Este é só um exemplo de grandes diferenças entre homens e mulheres, mas mesmo entre homens e mulheres existem grandes diferenças que os tornam únicos na forma de ver e sentir o mundo.

Isso serve para nós refletirmos sobre a forma como estamos nos relacionando e como estamos resolvendo nossos conflitos, se estamos buscando resolver do nosso jeito ou se somos capazes de penetrar no reflexo do outro e compreende-lo.

Esta nossa forma única de ser ao mesmo tempo que nos diferencia nos limita.

O segredo para transpô-la está no axioma Hermético que afirma que o que está em cima é igual ao que está em baixo. Podemos então deduzir que também o que está do lado de fora reflete o que está do lado de dentro.

Então, para conseguirmos compreender o outro, precisamos olhar seu reflexo, e então compreender pela visão do que está fora, aquilo que está dentro. Compreender sua maneira de ver e sentir o mundo e buscar nos adaptarmos a ela e encontrar a Harmonia nos relacionamentos e resolver os conflitos internos e externos.
Assim, poderemos ir aos poucos abrindo a nossa própria caixa de Pandora e  resolver nossas mazelas ao mesmo tempo em que convivemos com as dificuldades alheias, transformando conflitos em Harmonia e Amor que revela nossas Verdades e nos faz compreender e alcançar o verdadeiro Equilíbrio entre os mundos internos e externos.

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