Olhando a lagoa podemos ver a luz do sol refletida no espelho d’água cegar os olhos pelo seu reflexo.

 Mas se olharmos com mais serenidade e de outro ângulo, então a luz do sol não confundirá  mais a nossa visão e vemos o fundo da lagoa, as plantas, os peixes a sujeira e as impurezas, mas também vida e beleza. 

Somos um gigantesco Iceberg submerso em aguas geladas e turvas, do qual enxergamos apenas uma pequena parte que fica na superfície e a qual acreditamos seja a realidade.

A maior parte do nosso ser permanece encoberta de nós mesmos como a parte submersa do Iceberg ou inconsciente.

Formulamos o mundo segundo nossas crenças, percepções e  experiências armazenadas em nossa mente consciente e inconsciente.
Pensamos e agimos segundo impressões armazenadas em nosso inconsciente e não temos a exata noção daquilo que acontece conosco.

O mundo é para nós um grande espelho onde nos refletimos e nos reconhecemos.

O Mundo nos devolve aquilo que lhes oferecemos e assim nos refletimos nele sem o perceber.

Nada incomoda mais que ver suas próprias falhas refletidas nos outros. Fraquezas e medos que tentamos esconder e que o mundo insiste em nos revelar através de seus diversos espelhos.

É sempre mais fácil vermos o brilho do sol refletido no espelho d’água e mais difícil  vermos a realidade no fundo da lagoa, que poderia nos mostrar grandes impurezas.

É uma espécie de fuga da realidade, uma estratégia usada pelo nosso inconsciente para evitar o sofrimento de reconhecermos nossas fraquezas.

Viver olhando apenas para o brilho do sol é viver com óculos cor de rosa e enganar-se a si mesmo, adiando o confronto com os verdadeiros inimigos.

Estudos comprovam que a maioria das anorexias se sentem e se percebem com 14 quilos mais gordas do que realmente são, enquanto os obesos se percebem e se sentem com14 quilos mais magros.
 

Estes dados nos indicam que o mesmo artificio do inconsciente deve ocorrer com muitas outras dificuldades humanas pois para a maioria das pessoas que ainda não alcançou o equilíbrio e o alinhamento de suas forças internas uma nuvem de fumaça embaça e distorce a visão que ela tem do mundo e de si mesmo.

Conhece-te a Ti mesmo nos aconselham os Mestres.

 
É preciso captar a praticidade deste conselho.


Mas para aquele que busca sua própria verdade, haverá um momento de trazer  esta verdade a tona, verdades que muitas vezes  podem ser difíceis e duras, e para as quais ele precisa estar preparado para enfrentar e resolver definitivamente.

Sun Tzu no livro A arte da guerra nos diz que somente aquele que conhece a si mesmo e aos seus inimigos poderá vencer todas as batalhas. Fugimos dos conflitos porque inconscientemente sabemos que não estamos preparados para enfrenta-los.

Muitas vezes vivemos em uma falsa harmonia, cedendo quando deveríamos lutar e deixando o inimigo crescer e conquistar terreno até chegar ao ponto em que as verdades eclodem em forma de crise ou doença.

Enquanto ainda não tivermos atingido a capacidade de enxergar a verdadeira causa de nossos sofrimentos continuaremos a lutar contra falsos inimigos externos, que muitas vezes são apenas os nossos mestres ou apenas nossos cobradores.

Essa não pode ser jamais a atitude do discípulo que almeja o mestrado, pois ele precisa abrir os olhos e retirar a venda para enxergar o fundo da lagoa mesmo que ainda veja muitas impurezas.

É sobre esse caminho  que Pitágoras nos fala em um trecho dos  Versos Áureos 

 
Verás que a Natureza – O Céu há de mostrar-te – 
É em tudo semelhante e a mesma em toda parte.
Conhecendo-te a ti, senhor do teu Direito,
Vibrarás sem paixões teu coração no peito.

 
Primeiro é preciso alcançar o equilíbrio e domínio de suas energias internas e ser capaz de silenciar as aguas das emoções e o burburinho dos pensamentos. Ao equilibrar seus sentidos fica mais fácil perceber a natureza interna das coisas, vendo o fundo do lago porque as aguas estão mais serenas.

 
Mas não como o artista que vê apenas o brilho do sol e se confunde, não como perfeccionista que busca a perfeição e ignora as impurezas, não como aquele que mergulha nas aguas, ou como aquele que vê ora a parte externa do iceberg ora as sua parte submersa. Verás a montanha completa como  uma unidade com partes na superfície  e  parte submersa, unindo o visível ao invisível porque já enxergas com o olho que une os dois  hemisférios.

 
Não veras uma ilusão de coisas perfeitas, mas a beleza nas imperfeições e nas impurezas que estão em transformação e purificação.

 
Homem – verás que são os frutos próprios do homem
A mágoa que atormenta e os males que o consomem;
Porque a origem do gozo, a fonte da ventura
Que em si mesmo possui – Além de si procura.

Ao visualizar a unidade e integração do tempo e do espaço será capaz de  visualizar também as causas das situações atuais e prever as consequências das palavras e atos porque compreendeu as leis de causa e efeito. Não será como um homem de fé que acredita na lei ou que espera recompensas, mas como aquele que conhece porque viu e sentiu e sabe seus efeitos e confia na lei. Serás então cauteloso com suas palavras e atos e complacente com os erros alheios.


Bem poucos sabem ser felizes: compelidos 
Pelos desejos maus, joguetes dos sentidos,
Como baixel em mar sem fim, por entre pegos,
Assim os homens vão desnorteados e cegos.

Perceberás a causa do sofrimento humano, porque as pessoas são movidas por emoções e pela satisfação dos sentidos  e não conseguem ver a extensão e a consequência de suas ações acreditando em forças externas como responsáveis pelos acontecimentos de suas vidas.


Deuses ! Quisésseis Vós valer-lhes de onde estais !
Mas, não: Homem, teu ser provém dos imortais.

Surgirá então o desejo ardente de orientar as pessoas e conduzi-las a um porto seguro. Seu primeiro impulso será o de pregador de uma nova conduta e a tentativa de esclarecer as pessoas mostrando o caminho e a solução para todos os seus problemas.

Mas então perceberás que sabedoria infinita reservou a cada um conduzir sua própria historia e sua própria lenda pessoal. Somente o próprio Homem poderá Salvar-se e aprender com seus erros. Aprenderás então a não interferir e não impor suas verdades, respeitando o direito e o livre arbítrio dos outros.

 

Resta somente ajudar aqueles que caminham que pedem socorro e orientação.

 

Baseado no Livro Vida Perfeita.
Dr. Paul Carton