O Supermentalismo é uma escola ativa de disciplina mental, destinada a promover o despertar das superiores qualidades e virtudes latentes em todas as criaturas. Tem o poder de harmonizar filosofias, credos, pensamentos e idéias.

Nossa conduta é força viva, reflete-se no espelha da vida e mil olhos procuram seguir-nos, para perquirir de nossa sinceridade. Então o nosso exemplo atrairá e servirá a outros seres. O viver supermental não é uma utopia, mas uma condição possível de começar a ser vivida aqui e agora.

O contato com a verdade confere responsabilidade. A criatura isolada tem maior dificuldade para vencer. A vida não é luta, mas cooperação; não é competição, mas emulação, cada um dando o melhor de si para o bem de todos. A humanidade está sendo tangida ao progresso e evolução espiritual, porque espiritual é a essência, a realidade e o alvo. Não vos iludais com as aparências.

A resistência ao aprimoramento se traduz neste choque com as correntes materialistas, onde o ódio, o despotismo, a intolerância e todos os fatores negativos lutam para predominar. Materialista é a doutrina que nega a realidade. Restringe-se a um hoje sem amanha, a um presente sem futuro, levando ao desatino de tudo querer aproveitar no existir fugaz do momento. Vivendo das limitadas percepções dos sentidos, procuram gozar tudo hoje, gerando este desenfrear de paixões, este quadro tétrico de enriquecer, dominar, mesmo infringindo todas as regras e normas da boa conduta. Não é uma questão de crer ou descrer. Mas um fato que nos afeta através dos ciclos de compensação.

A humanidade evolui numa espiral ascendente, em círculos de crescente amplitude, ainda que repetindo-se em formas semelhantes e ao mesmo tempo diversificadas em suas linhas de projeção. Na história acontecimentos se repetem na essência, mas são sempre diferentes na qualidade, extensão e repercussão. Todavia, o propósito final é sempre melhorar, impulsionar o progresso espiritual do homem, espicaçando-o para uma vida espiritual efetiva, prática, manifesta na conduta diária.

Os homens de acordo com seus cargos e responsabilidades podem fazer ou deixar de fazer certas tarefas; podem apenas retardar ou adiantar a evolução, mas nada absolutamente nada pode impedir a marcha contínua e irresistível da ação espiritual, que a sanear os espíritos, eliminar as escórias e impelir tudo e todos para o melhor, o mais sadio, o mais harmonioso e construtivo do bem.

É moda falar em frustrações e complexos psicológicos. O suicídio, a guerra, vícios sexuais e manifestações semelhantes, não são expressões duma mente normal. Viver na predominância do instinto sexual é predicado comum aos animais e ao homem primitivo. Assim, colocar o sexo como objetivo da vida, sob pretexto psicoanalítico obsoleto, é pretender retrogradar o homem aos estágios inferiores; é um abuso para justificar práticas que a razão condena, a natureza se revolta e a lei espiritual pune. É pretender derrubar toda a conquista espiritual do homem e fazê-lo retornar a condição de animal irracional.

O Supermentalismo não concorda que o homem possua uma tendência destrutiva fundamental; não concorda com teorias que do estudo de casos patológicos tira generalidades, pretendendo aplicá-las a mentes normais. Em nosso sistema, afirmamos que na mente humana existe um impulso irresistível para a felicidade duradoura que constitui a verdadeira força determinante das atividades do homem, tanto conscientes quanto inconscientes.

A educação tem por finalidade ensinar ao homem ser verdadeiramente homem, senhor de suas emoções. Desafio a capacidade disciplinar do homem, é do distinguir entre poder e dever, não se deixando levar pelos exploradores de seu orgulho. Discordar e cumprir o dever exige muito mais coragem e valor, do que se deixar levar na trilha descendente, que enfraquece a vontade destrói o caráter, elimina a capacidade de pensar e ser livre, isto é, fazer o que é justo, honesto, razoável e produtivo do bem coletivo.

Antes de querer algo para si, o homem há de pensar no seu semelhante. Indagar a si mesmo: Qual é o bem que este meu ato produzirá nos que me rodeiam? Qual a repercussão no ambiente em que vivo, no meu lar, no meu trabalho, no meu grêmio? Se a resposta for satisfatória, então a consciência justifica e aprova. Fazer alguma coisa em desacordo com a própria consciência é gerar um conflito interior, que só se esgotará com a reparação do dano causado. Só podemos enganar a nós mesmos, nunca à realidade invisível que, em sua eterna presença, conhece a essência dos nossos pensamentos, palavras e atos.

A psicologia estuda a mente, suas funções, suas reações e método de adquirir conhecimento. A mente objetiva tem uma visão muito limitada; ao passo que a supermental tem um vasto campo de percepção no Tempo e no Espaço. Supermentalismo estuda a mente em sua totalidade – consciente, subconsciente e superconsciente – abrangendo o campo da psicologia e Parapsicologia. Esta última ora em plena expansão, graças aos exaustivos trabalhos de J. B. Rhine, e seus seguidores numa paciente investigação estatística de capacidades e faculdades, que denomina ESP – percepções extras sensoriais – em que a feição da ciência acadêmica, prova a realidade espiritual.

A técnica (supermentalista) é um processo de síntese e reintegração, para adultos normais e sadios. Desenvolvendo-se através do treino reeducativo, uma experiência interna, profunda, inigualável, que nos dá convicção da eternidade. Neste caminho não há atalhos que encurtem a jornada ou ilusórias facilidades. Para obter é preciso colocar-se em harmonia com a lei.

Embora o nosso propósito seja coletivo o trabalho é individual.Melhorando o indivíduo é possível melhorar a coletividade. O aperfeiçoamento individual é a base. Nosso trabalho evolui através de homens e mulheres, que lutam para conseguir este aperfeiçoamento individual.

“O homem é o maior ser existente neste universo e este mundo de trabalho o melhor e a oportunidade para ele alcançar a perfeição”. – Vivekananda.

É através da ação construtiva, das lições aprendidas nos embates da vida terrena, que o homem apara as arestas, burila as imperfeições do seu caráter, para alcançar as condições que permitem manifestar suas melhores qualidades e virtudes. A existência terrena é um conflito de forças antagônicas, travado no recesso do subconsciente, em que somos desafiados a provar a firmeza de nossa convicção e o vigor de nossa vontade.

O indivíduo é parte inseparável da coletividade. O direito de querer, de desejar, de fazer ou deixar de fazer, é limitado pelo direito do seu semelhante. A ignorância e infração deste princípio acarretam atrito e inquietação.

Urge esclarecer. É numa liberdade duma conduta auto consciente que se produz harmonia efetiva, expressa numa cooperação de acordo com suas próprias Leis internas. Não pretendemos destruir a individualidade, mas despertar as mais nobres facetas do caráter e os predicados da inteligência.

“Precisamos um coração para sentir, um cérebro para conceber e um braço forte para executar o trabalho.” – Vivekanada.

Enquanto habitarmos esta dualidade terrena, nosso aprimoramento espiritual encontra expressão no trabalho construtivo que realizamos. Desperta a consciência espiritual, compreendemos: a imensa força de nosso pensamento, há de ser aplicada no trabalho de construir este mundo melhor de Paz e fraternidade.


Dr. João Maria Lacerda Neto